Nesta terça-feira (1), o ex-ministro da Educação no governo de Jair Bolsonaro (PL) Abraham Weintraub participa, em Bauru, de um encontro intitulado 'Em luta contra a perda de nossos direitos e liberdade', que tem entre seus organizadores o vereador Eduardo Borgo (PSL). Será às 11h, na Acib. Segundo o ex-ministro, já foram 30 encontros realizados em todo Estado. Weintraub afirma que não é pré-candidato nas próximas eleições. Em entrevista ao Jornal da Cidade/JCNET, nesta segunda (31), ele falou sobre a aproximação de Bolsonaro com o chamado Centrão, o período em que esteve no governo e as polêmicas com o Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com o ex-ministro, sua candidatura para o Governo do Estado foi lançada, informalmente, por um militante ligado ao movimento conservador, após as últimas eleições municipais em São Paulo. Porém, crítico à aproximação do governo Bolsonaro com a ala chamada de Centrão na Câmara Federal (parlamentares de vários partidos que atuam juntos para interferir nas decisões e votações de projetos e iniciativas do Governo Federal), afirma que foi este grupo de deputados que teria agido contra a possível escolha de seu nome. "O Centrão convenceu parte do governo que meu nome não é indicado para a estratégia de aproximação.
Continuo acreditando que estava correto em apoiar o presidente, mesmo antes de todo mundo do Centrão, que hoje se diz de direita, mas que esteve abraçado com o (ex-presidente) Lula e com a (ex-presidente) Dilma (Roussef)", avaliou.
ACOMODAÇÃO PARTIDÁRIA
Weintraub afirma que, apesar da acomodação partidária do presidente, continua acreditando que ele deve ser reeleito, mas que o apoio do grupo de parlamentares não é a melhor perspectiva para um segundo mandato. "Se a gente fizer a mesma coisa, com as mesmas pessoas e do mesmo jeito, o resultado vai ser igual. Eu o apoio, mas acho que temos que eleger o máximo possível de senadores, governadores e deputados para chegar no segundo governo e dizer que não precisamos mais deles".
Embora negue ser pré-candidato, o ex-ministro se colocou como nome possível ao Governo do Estado, assim como de seu irmão Arthur Weintraub, que também está em Bauru nesta terça, além de Ernesto Araújo, também ex-ministro (Relações Exteriores) do governo Bolsonaro e do médico Alessandro Loiola.
SUPREMO TRIBUNAL
Sobre o período de um ano e quatro meses que esteve no governo, cita que foi processado em 178 ações, que teriam sido motivadas por suas decisões à frente do Ministério da Educação. "A gente foi contra o mecanismo, contra os oligopólios e monopólios. Quando deixei o ministério, os processos saíram do STF e eu nunca mais fui incomodado", comentou. Sua relação com o STF, aliás, foi tempestuosa desde o início do governo. Weintraub afirmou, durante uma reunião ministerial, que os ministros seriam "vagabundos" e que queria que fossem presos.
OLAVO DE CARVALHO
A morte do ensaísta Olavo de Carvalho foi muito sentida pelos irmãos Weintrabub, seus seguidores, segundo Arthur.
Ele detalhou um pouco do relacionamento que tinham com o antigo professor, nos Estados Unidos. "A gente aprendia muito, não fazia vídeo, não postava nada porque não era para tietar. A gente ia pelo conhecimento dele", comentou Arthur. Abraham disse que o movimento criado por ele a partir de ideias conservadores vai sentir muito, apesar das pessoas que continuam seguindo seus ensinamentos.
Sobre o tema do encontro, que prega a liberdade de expressão, Arthur também ponderou mudanças ocorridas, segundo ele, no país nos últimos anos, que comprovariam um movimento contrário a esta liberdade. "Existem situações que seriam impensáveis há três anos. A gente não pode falar certas coisas, usar certas palavras", disse.
DIREITO
Acompanhando os irmãos no JC, o vereador Borgo falou sobre sua posição em relação à vacinação em crianças. "Tudo tem a ver com o encontro, essa ideologia que temos, de liberdade. Mas, não liberdade de tirarem nossos filhos, porque temos medo da bula, onde consta que a vacina pode causar reações adversas, imprevisíveis e inesperadas. Nós temos o direito de ter medo", conclui o vereador.