Lisboa - O Partido Socialista, no poder desde 2015, venceu as eleições legislativas de Portugal neste domingo (30) e garantiu, sozinho, maioria absoluta no Parlamento ?resultado considerado surpreendente.
Aa legenda do premiê António Costa conquistou quase 42% dos votos e ao menos 117 dos 230 assentos na Assembleia da República. Pesquisas de intenção de voto divulgadas na última semana da campanha projetavam um empate técnico entre o PS e o maior partido da oposição, o PSD (Partido Social-Democrata).
Desde 1976, houve apenas quatro maiorias absolutas em Portugal, sendo quatro do PSD. O Partido Socialista também realizou o feito em 2005, com José Sócrates. "Uma maioria absoluta não é um poder absoluto. Não é governar sozinho. É uma responsabilidade acrescida. Governar é para e com todos os portugueses. Essa será uma maioria de diálogo, com todas as forças políticas que representam na Assembleia da República os portugueses na sua generalidade", prometeu Costa, no discurso da vitória.
Em discurso após a confirmação da vitória socialista, Rui Rio, presidente da legenda, assumiu a derrota do PSD.
"O resultado que tivemos está muito longe daquilo que entendemos que iríamos ter", disse o social-democrata. Ele destacou que o PSD ampliou o número de votos em vários distritos, mas atribuiu à mobilização da esquerda a dianteira que os socialistas assumiram nas eleições.
MUDANÇA
Uma grande mudança na composição do Parlamento ficará por conta do aumento expressivo da bancada do partido da extrema direita Chega, que assumiu o posto de terceira maior força política do país.
A legenda, que foi criada e entrou na Assembleia da República em 2019, teve pouco mais de 7% dos votos. Com isso, o Chega, que tem atualmente apenas um deputado, garantiu ao menos 12 representantes ?apenas uma mulher? no Parlamento.
O partido se apresenta como antissistema e acumula propostas polêmicas, como a volta da pena de morte e a castração química de pedófilos.