Brasília - O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central elevou a taxa básica de juros de 9,25% para 10,75% ao ano nesta quarta-feira (2). Desde julho de 2017, a taxa Selic estava abaixo dos dois dígitos, período em que foi reduzida diante de uma inflação em queda e uma atividade econômica praticamente estagnada.
O BC também sinalizou que o ciclo de aperto iniciado em março do ano passado não chegou ao fim, diante de uma inflação ainda resistente e que ameaça estourar a meta pelo segundo ano seguido.
Mas disse em seu comunicado que, em relação aos seus próximos passos, o comitê antevê como mais adequada, neste momento, a redução do ritmo de ajuste da taxa básica de juros em sua próxima reunião.
Segundo o Copom, essa sinalização reflete o fato de que os efeitos cumulativos do ciclo de aperto monetário ainda se manifestarão ao longo dos próximos meses.
Na reunião anterior, em dezembro, o BC também elevou a taxa em 1,5 ponto percentual e indicou que faria nova alta da mesma magnitude neste início de ano. Por isso, todos os analistas consultados pela Bloomberg já esperavam esse aumento. O comitê volta a se reunir agora nos dias 15 e 16 de março.
CRÍTICAS
A elevação desagradou ao setor produtivo. Na avaliação de entidades da indústria, o retorno dos juros a dois dígitos não combate corretamente as causas da inflação e prejudica a recuperação econômica, após a pior fase da pandemia de covid-19. Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) chamou de excessiva e equivocada a alta da Selic.