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4.ª dose antes de atualização divide opinião de especialistas em Bauru

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Recentemente, o Ministério da Saúde liberou a quarta dose da vacinação contra a Covid-19 a pessoas imunossuprimidas. Bauru, inclusive, foi uma das cidades a iniciar a aplicação para esse grupo, conforme o JC noticiou. Ocorre que a Pfizer anunciou que entregará, até março deste ano, uma atualização de sua vacina contendo as novas cepas, incluindo uma voltada exclusivamente para proteção contra a ômicron. Diante do "upgrade" tão próximo, especialistas têm se dividido entre tomar a quarta dose com o imunizante já disponível ou aguardar pela atualização.

Infectologista, Marcelo Pesce lembra que a vacinação é, sobretudo, um ato coletivo. Ele aponta que, apesar das melhorias constantes nos imunizantes, não se deve esperar para proteger quando se fala em Covid-19. "As vacinas têm se mostrado eficazes e elas ainda irão melhorar, porque estão sendo atualizadas dia a dia. Mas, os imunizantes que estão disponíveis hoje protegem e é o que temos por ora. E é preciso considerar também que o mercado norte-americano receberá [a Pfizer atualizada] primeiro", avalia, ponderando que a vacina com "upgrade" pode demorar um pouco para chegar ao Brasil.

NÃO ESPERAR

"Então, não há o que esperar. É preciso tomar o que estiver 'na praça'", pontua o médico. Ele lembra também que, apesar de ser menos letal, a ômicron tem grau de contagiosidade mais alto, o que tem sobrecarregado o sistema de saúde novamente.

Segundo Marcelo Pesce, a vacina hoje disponível pode não proteger 100% as pessoas de pegarem a Covid-19, mas evita, em sua grande maioria, os casos graves da doença. "Devemos tentar melhorar a nossa resposta ao vírus com o que for possível. Por exemplo, falaram muito mal da CoronaVac, mas ela prestou grandes serviços. Ela tem uma capacidade de resposta boa e, combinada com outras vacinas, funciona muito bem. Temos que tomar o que está disponível", reforça.

ESPERAR

Já o também infectologista João Paulo Poli acredita que o melhor é esperar, nem que a vacinação atrase um pouco, para tomar a quarta dose da versão atualizada e que contemple as novas mutações do vírus da Covid-19.

"Não sou contra a quarta dose, mas sim contra mais um reforço com o mesmo imunizante. É provado que as vacinas evitam os casos graves e óbitos, mas elas não são eficazes para frear o contágio. E estamos em uma fase da pandemia em que o objetivo não é mais só evitar as mortes, mas sim o pico de casos, senão a pandemia não acabará", defende Poli.

Segundo ele, a Pfizer ainda não publicou como, de fato, ocorrerá a atualização e o que ela contemplará, mas a expectativa é de que o imunizante contra a ômicron esteja incluso.

Hoje, o prazo seguido para o reforço da vacinação é de quatro meses em relação à última dose. Segundo Poli, contudo, estudos mostram que o nível de anticorpos neutralizantes começa a cair após seis meses da data da aplicação da terceira dose. "Os profissionais da saúde teriam que receber a quarta dose em fevereiro, mas esperar até março ou abril pela atualização da vacina seria melhor. E não há impacto, pois não teria perda brusca de anticorpos. Dois meses é pouco tempo", analisa o infectologista.

"O mais complicado seria a aplicação da quarta dose e, pouco tempo depois, de outra mais atualizada. Isso é inviável, até porque não seria possível viabilizar duas campanhas nacionais de vacinação e sequenciais para um mesmo público", finaliza João Poli.

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