Geral

Com mais de 100 anos, prédio em esquina do Calçadão é demolido

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Localizado em uma esquina que marcou gerações antes mesmo de o Calçadão existir, o prédio da antiga Joalheria Tambara está em estágio final de demolição. Segundo o JC apurou, o imóvel, que fica no cruzamento da quadra 6 da Batista de Carvalho com a rua Agenor Meira e tem mais de 100 anos, foi vendido pelos herdeiros a um empresário bauruense, assim como outras propriedades ao redor, que devem dar lugar a um novo projeto. A pedido do proprietário atual, a construtora responsável não divulgou detalhes do que será essa empreitada.

A derrubada no imóvel começou em janeiro. No início da última semana, a estrutura já não contava mais com telhado. Apenas parte da fachada continuava preservada. A demolição total estaria marcada para ocorrer entre este domingo (6) e os próximos dias. 

Há algumas décadas, o prédio da tradicional joalheria havia sido dividido e deu espaço a uma galeria. No local, funcionavam, até o fim do ano passado, uma loja de confecções femininas, um negócio menor também de vestuários e um estabelecimento de moda e acessórios. Ao lado deste imóvel, mas já na rua Agenor Meira, ficavam a antiga casa onde residiam os Tambaras e uma relojoaria da família.

Todas essas empresas se mudaram e a relojoaria fechou em novembro do ano passado, com a venda da área.

O INÍCIO

A joalheria foi inaugurada em 1915 por Albino Tambara, um artesão que migrou da Itália ao Brasil em meados de 1900 e se instalou em Bauru, onde construiu o prédio em questão, acoplado com a própria residência.

Quando Albino morreu, o filho dele, Noris Tambara, já estava na profissão e deu seguimento ao negócio da família. Além do ramo de joias, também passou a tocar uma relojoaria ao lado da casa.

O FIM

A joalheria que iniciou tudo só fechou as portas na década de 90. Na época, o prédio principal da esquina acabou dividido, passando a abrigar a galeria já citada, que foi a renda da família por muitos anos.

Noris, inclusive, morou no casarão dos Tambara com a esposa Ilda por um longo tempo e chegou a ser considerado um "guardião" do Calçadão da Batista. Com a morte dele, há 12 anos, Vladimir Xavier dos Santos, 53 anos, bisneto de Albino e neto de Noris, assumiu a relojoaria que funcionava ao lado da casa. Contudo, após Ilda morrer, há cerca de três anos, os herdeiros decidiram pela venda.

"Eu era adolescente quando comecei com meu avô na relojoaria, que funcionou por 40 anos. Queríamos manter os prédios, mas eles já tinham perdido muito as características originais. Eu nasci ali e tenho muitas lembranças do Calçadão e dos meus avós. É triste ver tudo sendo demolido, mas a vida é um ciclo e a venda foi decidida por consenso", comenta Vladimir.

'DESPEDIR'

Jornalista e historiador, Luciano Dias Pires, 94 anos, lembra-se do cruzamento como um dos pontos mais tradicionais de Bauru. "O prédio tinha a inscrição 1915 marcada. Era um dos mais antigos da cidade e anterior até mesmo ao Calçadão. Estou até curioso para ver, não sabia que estavam demolindo. Quero passar de carro lá para me despedir", comentou ao JC, no início desta última semana.

Vale destacar que o imóvel não integra a lista de locais tombados no município, segundo aponta o site do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac).

Comentários

Comentários