Tribuna do Leitor

Sempre a mesma coisa

Elson Teixeira Cardoso, escritor
| Tempo de leitura: 2 min

Sempre a mesma coisa no começo de cada ano. Chuvas. Enchentes. Alagamentos. Secas. Perdas. Mortes. Tragédias. Quando tudo vai acabar? Acabará quando os políticos deixarem seus pensamentos partidários e suas crenças pessoais abaixo dos interesses públicos. Acabará quando prefeitos, governadores e presidente da República atuarem em conjunto, independente das diferenças, todos integrados num único objetivo: o desenvolvimento da Nação.

O Brasil é uma federação que não prioriza os Estados e municípios, cujo endividamento é alto e inviabiliza investimentos fundamentais, porque as arrecadações de impostos e tributos diversos ficam concentrados, em grande parte, no governo federal.

É inadmissível que cidades de grande porte não tenham Secretaria de Governo, responsável pelo supervisionamento das demais secretarias, e Secretaria da Defesa Civil, órgão somente lembrado quando a porteira das catástrofes arrebenta.

Atualmente, as chuvas torrenciais e secas contínuas, sobretudo derivadas das irresponsabilidades da negação do aquecimento global, além de queimadas e desmatamentos na Amazônia, jamais vistos, estão acarretando danos irreversíveis, já que vidas são levadas tragicamente.

As soluções começam com o planejamento urbano por parte das prefeituras, já que as cidades crescem desordenadamente, devido às necessidades sociais e econômicas. Inovações na mobilidade urbana, inclusão social e desenvolvimento sustentável são fundamentais.

Continuam com programas habitacionais a médio prazo, já que ninguém em sã consciência busca residir em locais de alto risco, como morros e encostas, córregos e rios - é uma questão de necessidade. Seguem com práticas de cidadania, a população tem o dever de manter a moradia, a rua, o bairro e a região limpos, atuando em conjunto com a administração municipal. É preciso lembrar que a dengue é uma realidade de décadas, sobretudo na região sudeste, e, ao que parece, está longe de ser erradicada.

Tudo isto, partindo do princípio de uma federação de fato, em que a República (coisa do povo) seja renovada e fortalecida, gerando melhores condições a todos. Que a ambição, o apego ao poder e as divisões politiqueiras, deem lugar à sensatez e às práticas de valorização da vida. O Brasil pode tornar-se um país de coisas diferentes a cada dia. Coisas do povo.

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