O recrudescimento da Covid-19, devido à variante Ômicron, levou-nos a rever o livro 'Autoengano', do economista e filósofo Eduardo Gianetti, que lemos em 1998. Isso porque no primeiro capítulo ele faz uma descrição muito interessante sobre a luta pela vida, que "do protozoário unicelular ao autodesignado Homo sapiens, a preservação do indivíduo e a perpetuação da espécie constituem o mínimo denominador comum da subsistência biológica. Mas se os fins perseguidos por todos os seres vivos são essencialmente uniformes, os meios dos quais dispõem para persegui-los são os mais diversificados. O repertório é fabuloso e inclui peças de espantosa sagacidade."
Embora naquela época o ataque do coronavírus nem pudesse ser imaginado, ele relata casos de mudanças genéticas por vírus e bactérias para enganar vacinas e antibióticos. E dos protozoários ele parte para os vegetais e animais, indo até os macacos para depois chegar ao homem na luta pela sobrevivência da espécie, quer procurando resistir a ataques, quer procurando alimentos, na certeza de que o que estão fazendo levará à vitória. É aí que surgem os autoenganos, a ilusão da certeza.
A pandemia da Covid-19 transformou o Brasil num caso especial, num embate de três contendores, quando deveria ser apenas entre dois: um em defesa da vida biológica (o vírus) e o outro em defesa da vida humana (a população), mas surgiu um terceiro, em defesa da sobrevivência de uma ideologia de poder (o governo federal). Não é necessário ir muito longe para perceber onde pode estar a ilusão. O contendor pela vida humana está amparado pela Ciência, com todo o progresso obtido pela humanidade através dos milênios. Não dá para ignorá-lo, manipulando telefone 5G, sendo atendido pela medicina de alta tecnologia, começando a conviver com robôs, estando a par de tudo que acontece no mundo no mesmo momento etc. Essa base de defesa é mundial, todas as populações estão integradas na aplicação de vacina e nos meios mais apropriados de prevenção, conforme recomendam cientistas, médicos de todas as especialidades e governantes esclarecidos.
Todos os recursos usados pela população mundial são produtos da inteligência, do conhecimento, já os recursos do vírus são reações instintivas de que é dotado pela Criação Divina. Ele ataca as células como meio de se reproduzir e garantir a sobrevivência da espécie e reage ao ser impedido pela vacina, tornando-se outro pela mutação genética e assim até que a vacina o vença, e acabe com a sua ilusão. Isso tem acontecido com outros ataques virulentos. Caso emblemático foi a erradicação da poliomielite, sarampo, rubéola, difteria etc., em campanha do Rotary International que imunizou 2,5 bilhões de crianças em 122 países, inclusive o Brasil.
Quanto ao terceiro contendor, que deveria estar com a população por ser da mesma espécie, houve um desvio de conduta pela ilusão de conseguir uma longa permanência no poder em defesa de uma ideologia antidemocrática. Para tanto aparelhou-se com patentes militares, da reserva e da ativa, com ideólogos de ideologia já rejeitada no mundo, tentou armar a população e colocou-se ao lado do vírus, contra o povo. Para este caso os recursos que utiliza, esmiuçados e documentados na CPI da Covid-19, do Senado, são a desinformação ativa, o logro, a conivência de agentes públicos protegidos etc. Ao juntar-se com os parlamentares do muito conhecido 'centrão' e entregando a eles a chave do cofre, achamos que já ficou tarde para reconhecimento do engano, que no mais tardar será oficialmente reconhecido pela eleição no fim do ano.
O autor é ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru.