Teve início, nesta terça-feira (8), a primeira etapa das obras de recuperação na cratera que se abriu por conta das fortes chuvas de janeiro na via de acesso Engenheiro Horácio Frederico Pyles, prolongamento da avenida Rodrigues Alves, em Bauru. Um carregamento com 800 toneladas de rocha chegou ao local e, nesta quarta-feira (9), maquinários e equipes iniciarão a limpeza do espaço afetado.
Responsável pela via, a concessionária Eixo SP informou que substituirá a tubulação antiga, que tem 2 metros de diâmetro, por uma rede de galerias de 3,5 metros, o que deve ampliar a vazão no trecho em quase 4 vezes. Complexas, as obras de recuperação incluem até mesmo a alteração da calha do Córrego Vargem Limpa.
A expectativa é de que os serviços de recuperação sejam finalizados em até seis meses. Até lá, tanto a Engenheiro Horácio Frederico Pyles quanto a via marginal, rua Joaquim Marques Figueiredo, devem permanecer totalmente interditadas.
A Eixo SP, inclusive, alerta a população sobre os riscos em desrespeitar a sinalização no local, porque, embora o canteiro central e a via marginal não tenham colapsado, ainda há possibilidade de desmoronamentos (leia mais ao lado).
DIAGNÓSTICO
Engenheiro civil e superintendente da Eixo SP, José Geraldo de Andrade conta que o colapso foi causado pelo aumento exponencial da vazão do Córrego Vargem Limpa combinado com o subdimensionamento da tubulação de ferro Armco, instalada há décadas no local.
Cerca de 30 metros de extensão da tubulação foram danificadas com a força da água, que causou um movimento de "chicote" da estrutura contra o terreno. Isso resultou na abertura de quase 6 metros de profundidade e 30 metros de comprimento.
A tubulação antiga de ferro também apresentava sinais de deterioração. A Eixo acompanhava a situação. "O trecho passou a ser monitorado pelas equipes em razão de uma trinca notada no acostamento, que ocorreu sete dias antes. E, com as fortes chuvas daquele fim de semana (29 e 30 de janeiro), as equipes resolveram interditar o local para evitar riscos. Horas depois, o colapso foi registrado", explica Andrade, afirmando que a extensão do desmoronamento foi a maior registrada naquele final de semana em toda a região.
PROJETO
As rochas que chegaram ontem ao ponto servirão como base para a galeria de concreto armado. A nova estrutura terá 60 metros de extensão e será instalada tanto na via de acesso quanto na marginal, que será escavada para retirada da tubulação antiga. O local também passará por realocação de três postes públicos afetados pela cratera.
A diretoria da Eixo ainda aguarda a conclusão do projeto de drenagem. A previsão é de que o documento seja entregue nesta sexta-feira (11). Com a relação completa das obras imprescindíveis para a recuperação da via em mãos, a concessionária terá a dimensão dos investimentos necessários. O cronograma de serviços também será montado com base nas informações apresentadas.
"Não mediremos esforços e nem recursos para entregar a obra o mais rápido possível para a população", promete José Geraldo de Andrade
COMPLEXO
O engenheiro civil ressalta, contudo, a complexidade dos trabalhos, considerando que as equipes terão que trabalhar dentro do córrego e em uma época de chuvas intensas.
"Serão cerca 40 funcionários empenhados. O monitoramento de toda a bacia do córrego será necessário para a segurança das equipes, porque, nesta época, cabeças d'água podem ocorrer", conclui o superintendente da Eixo SP.