Um misto de angústia e medo a cada dia que passa. Pessoas com diagnóstico de câncer e que precisam de radioterapia reclamam que não conseguem acesso ao tratamento via SUS em Bauru. Pacientes relatam que, desde dezembro, esperam que o Estado agende o procedimento. Sem o retorno, os usuários temem que a morosidade prejudique a luta contra a doença. A Secretaria de Saúde do Estado, por sua vez, alega que há "total assistência dos pacientes da região de Bauru nesta especialidade em serviços de referência em oncologia" (leia mais abaixo).
A dificuldade no acesso à radioterapia tem sido tema de matérias do JC. Em dezembro de 2021, o vereador Junior Rodrigues (PSD) levou uma denúncia ao Ministério Público Estadual (MPE) após receber inúmeras queixas sobre a demora no acesso ao tratamento via SUS. Até então, o serviço era oferecido na cidade pelo Centro de Radioterapia do Nair Antunes Instituto do Câncer (Naic), mas o convênio dessa entidade com o Estado venceu no ano passado e não foi renovado. É neste contexto que as reclamações começaram.
ANGÚSTIA
Quase dois meses após a cobrança em questão, novas reivindicações de pacientes têm surgido. Com diagnóstico de câncer na boca, Eder Carlos Thomazi, 57 anos, passou por cirurgia de urgência em 23 dezembro e, desde o fim daquele mês, aguarda a radioterapia. A namorada dele, Renata Pires, relata a angústia do parceiro diante da falta de respostas para continuidade do tratamento.
"A informação que nos dão é de que ainda não é possível agendar. Eu soube que uma licitação é aguardada para que o serviço volte a ser oferecido em Bauru", comenta Renata. "A doença já não é fácil e essa demora gera muito medo. O risco do câncer avançar existe e isso abala o psicológico. Sabemos que tem muita gente aguardando a radioterapia, e que alguns já até acionaram a Defensoria Pública, mas também não conseguiram. Fico imaginando como o Estado irá lidar com essa demanda represada de pacientes", completa.
A mesma angústia é dividida pela família de Janir Clara de Oliveira Trefillo, de 80 anos, que enfrenta um câncer grave no reto. Ela recebeu, no início de dezembro, a indicação médica de fazer radioterapia e quimioterapia de forma simultânea, em razão de um problema cardíaco. Mas, como o agendamento ainda não foi obtido junto ao Estado, o início de todo o tratamento ficou prejudicado. "Estamos com medo de que a doença avance ainda mais", comenta a filha dela, Marinir Trefillo.
CÂNCER DE MAMA
Presidente da ONG Amigas do Peito, Marta Angélica Raimundo conta que a entidade tem, ao menos, oito mulheres com câncer de mama que aguardam o agendamento da radioterapia, desde dezembro do ano passado.
"São pessoas que passaram pela quimioterapia e estão aflitas por ainda não terem conseguido marcar a radioterapia. Por lei, essa nova etapa pode levar até 60 dias para começar. O problema é que o prazo já está quase aí e nada. E as chances de cura podem cair se o tratamento demorar", aponta Marta Raimundo.