Moscou - Sob a sombra dos mais temidos exercícios militares russos até aqui na crise da Ucrânia, tanto Moscou quanto Kiev deram sinais de abertura para negociações para evitar que a tensão crescente se torne conflito aberto.
A Rússia quer estabelecer uma nova lógica de segurança na região que retire a ameaça de forças da Otan (aliança militar ocidental) perto de suas fronteiras, com uma eventual entrada dos ucranianos no clube de 30 países.
"Houve sinais positivos de que a solução para a Ucrânia só pode ser baseada nos Acordos de Minsk. Kiev deveria ter feito isso há muito tempo, assim há sinais positivos e outros, nem tanto", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, na manhã desta quarta (9).
Ele se referia à defesa dos acordos, que estabeleceram um cessar-fogo precário, mas nunca foram totalmente aceitos pela Ucrânia por ceder controle local aos rebeldes, feita pelo presidente francês Emmanuel Macron, na véspera.
Ele havia estado na segunda (7) com Putin e no dia seguinte, com o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski. Enquanto Macron manteve a posição contrária da Otan e dos EUA às demandas maiores da Rússia, ele piscou ao aceitar a principal exigência pontual russa -o que, na prática, resolveria seu problema porque a Otan não aceita membros com pendências territoriais tão sérias.
Nesta quarta, o chanceler ucraniano, Dmitro Kuleba, bateu no cravo ao dizer que "há a possibilidade real de avanços" e na ferradura, ao negar a ideia do arranjo de Minsk "sob a interpretação russa".
No lado diplomático, outros movimentos ocorreram. A União Europeia convidou a Rússia para participar de negociações sobre a segurança no continente no âmbito da OSCE (Organização para Segurança e Cooperação na Europa), ente do qual Moscou já faz parte.