Rio de Janeiro - Às vésperas de completar dois anos, a pandemia de Covid-19 ainda apresenta cenário preocupante, com rápida transmissão da variante ômicron, e seu controle depende prioritariamente da vacinação. A avaliação é de pesquisadores do Observatório Covid-19, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que divulgaram ontem (9) um balanço de dois anos da emergência sanitária: 5,71 milhões de vítimas no mundo e mais de 630 mil no Brasil.
Desde que os primeiros casos de Covid-19 foram confirmados na China, ainda no final de em 2019, o novo coronavírus já infectou 388 milhões de pessoas no mundo e 26 milhões no Brasil. O País concentra 6,7% do total de casos do mundo e 11% do total de vítimas, apesar de os brasileiros serem menos de 3% da população mundial.
OPORTUNIDADE
Os cientistas ressaltam que as demais medidas de prevenção devem ser mantidas, mas consideram que atingir uma ampla cobertura vacinal neste momento pode até mesmo bloquear a circulação do vírus, já que, com a explosão de casos provocada pela variante ômicron, há um grande contingente populacional que teve Covid-19 recentemente e adquiriu imunidade temporária.
"Em um momento em que há muitas pessoas imunes à doença, se houver uma alta cobertura vacinal completa há a possibilidade de tanto reduzir o número de casos, internações e óbitos, como bloquear a circulação do vírus", diz o boletim, que afirma que este cenário pode ser visto como uma "janela de oportunidade".
A Fiocruz sugere quatro estratégias de saúde pública: garantir aplicação de vacina; realizar busca ativa por pessoas que ainda não iniciaram seus esquemas vacinais; massificar a campanha de incentivo à vacinação de crianças e reforçar os benefícios gerados higienização, assim como o bom uso de máscaras.
Os pesquisadores também chamam a atenção para a desigualdade na cobertura vacinal, com bolsões nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste com baixa imunização. "Estes bolsões se constituem em locais de menor Índice de Desenvolvimento Humano, populações mais jovens, menos escolarizadas, baixa renda e residentes de cidades de pequeno porte".