Moscou - Em meio ao aumento de tensões com o temor de uma invasão da Ucrânia por parte da Rússia, como acusam governos de potências ocidentais, o Kremlin voltou sua artilharia verbal nesta sexta-feira (11) contra o Reino Unido, que tem se alinhado aos Estados Unidos nesta crise.
Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e Holanda pedem que seus cidadãos deixem a Ucrânia
Há temor de invasão russa à Ucrânia. "Os cidadãos americanos devem sair agora", declarou o presidente dos EUA, Joe Biden, em entrevista, anteontem e outros países engrossaram o coro.
ESTREMECIDOS
O ministro da Defesa russo, Serguei Shoigu, disse nesta sexta em reunião com seu homólogo britânico, Ben Wallace, que as relações entre Moscou e Londres estão em seu ponto mais baixo, segundo as agências de notícias do país. "Infelizmente, o nível da nossa cooperação está perto de zero e prestes a cruzar o meridiano zero e se tornar negativo, o que não é desejável", afirmou.
Moscou já vinha zombando abertamente da ministra das Relações Exteriores britânica, Liz Truss, que cometeu uma gafe geográfica ao dizer que apoiaria "aliados do Báltico através do Mar Negro" --mar que fica a mais de mil quilômetros dos países bálticos.
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos questionaram a movimentação do lado francês para apaziguar a crise. No começo da semana, o presidente da França, Emmanuel Macron, foi a Moscou se reunir com Vladimir Putin e anunciou que ouviu do russo a promessa de que não escalaria o conflito --na terça, o francês também se reuniu com Volodimir Zelenski, em Kiev, para negociar com o lado ucraniano.
Autoridades americanas expressaram em público dúvidas quanto aos resultados da viagem, em um momento em que a Rússia tem mais de 100 mil soldados, armas e outros equipamentos dispostos em diferentes pontos da fronteira com o país vizinho.
REUNIÃO VIRTUAL
Ainda na noite de ontem, o presidente americano Joe Biden conversou por telefone nesta sexta-feira (11) sobre a crise da Rússia com os líderes de Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Polônia e Romênia, além dos chefes da Otan e da União Europeia (UE) e o conselheiro da Casa Branca, Jake Sullivan, disse que todos prometem sanções 'rápidas e severas', se a Rússia fizer algum movimento de invasão. Biden agendou ligação com Putin para este sábado.
A Rússia nega intenção de invadir a Ucrânia, mas diz que pode tomar "ações militares", sem especificar quais.