Na reunião do conselho deliberativo do ECN realizada no dia 17/12/2021, que contou com meia dúzia de conselheiros, sendo que 24 não compareceram, foi aprovada a constituição de Sociedade Anônima de Futebol - SAF. Em se tornando clube empresa, o ECN poderá receber recursos financeiros de pessoas físicas, jurídicas e fundos de investimento e o objetivo maior destes investidores, além de comandar o futebol seria pagar as dívidas que giram em torno de R$ 6 a R$ 8 milhões, não se sabe o montante real da dívida do clube.
Para alguns dos presentes, incluindo a imprensa esportiva do JC, a aprovação do ECN em clube empresa será a salvação do clube. Isso se surgir um investidor. Passados quase 60 dias após a citada reunião, não apareceram empresários interessados e nenhum investidor para assumir o clube. Louve-se os atuais patrocinadores do clube, pois é através deles que o ECN ainda não fechou as portas.
Para que os leitores do JC tenham ciência dos clubes que se tornaram clube empresa, cito alguns exemplos: Clube Atlético Guaratinguetá, fundado recentemente, tem como investidor o ex-jogador do Palmeiras Marcinho Guerreiro. Como está iniciando do zero, o clube não tem dívidas.
O também ex-jogador do Palmeiras Galeano será o investidor do Sertãozinho, cujo presidente é o sr. Antonio Aparecido Savenagno, proprietário da rede de supermercados que leva o seu nome, com atuação em Ribeirão Preto e região. Pelo que se sabe, o Sertãozinho é um clube bem administrado e estruturado pois normalmente tem bons patrocínios graças ao seu presidente. Não tenho conhecimento dos termos dos contratos firmados com os investidores do Clube Atlético Guaratinguetá e do Sertãozinho. O fato é que ambos já possuem seus investidores. Como é de conhecimento daqueles que acompanham o futebol de perto, o Botafogo do Rio e o Cruzeiro das Minas Gerais também se tornaram clube empresa.
É óbvio que não posso traçar comparativos entre o ECN e o Cruzeiro, cujo investidor é o Ronaldo Fenômeno, mas se analisarmos por outro ângulo os leitores entenderão aonde eu quero chegar. Seja no futebol ou não, o investidor visa lucro e não tem paciência para esperar muito tempo, é pra ontem. Se não estiver enganado, a empresa do Fenômeno irá investir cerca de R$ 400 milhões em 5 anos, o que corresponde a R$ 6,6 milhões por mês e terá o controle total do clube.
Em contrapartida, o investidor terá à sua disposição as verbas da TV, da Federação Mineira por disputar o campeonato mineiro, da CBF por disputar a Série B e a Copa do Brasil que rendem um ótimo dinheiro, além das rendas dos jogos e da venda de jogadores. Antes do Fenômeno ser o acionista majoritário o Cruzeiro tinha patrocínios excelentes. A rede de supermercados BH patrocina o Cruzeiro, Atlético, América e todos os times do interior que estão disputando o Campeonato Mineiro. MRV, Banco Inter, Banco BMG e Hospital Mater Day são os demais patrocinadores. Se continuarão após a chegada do investidor não se sabe.
Um investidor como o Fenômeno atrai patrocinadores de peso e foi o que aconteceu. O sr. Alexandre Birman, CEO da Arezzo, com uma fortuna avaliada em mais de R$ 2 bilhões e torcedor da raposa azul, se comprometeu em ajudar de alguma forma o clube. Agora vamos voltar ao ECN, que não consegue sair da Série A-3 e tenho dúvidas se irá conseguir este ano. Estive no estádio na partida contra o Bandeirante e vi a mesmice de sempre. Quero e espero estar redondamente enganado. Se aparecer um investidor para pagar a dívida do clube, fica a pergunta: Qual a perspectiva de retorno que esse investidor terá?
O clube disputa a Série A-3 e recebe da FPF um valor irrisório assim como os demais. As rendas dos jogos são pífias e mal dá para pagar a taxa da federação e as despesas do jogo, o programa sócio torcedor após várias tentativas inexiste, as categorias de base, principal fonte de renda dos clubes do interior, também não existem há muito tempo, portanto, o investidor não terá jogadores da base para vender, sem contar que o estádio está em péssimas condições.
Diante deste cenário, acho improvável que surja algum investidor. Fica outra pergunta para a atual diretoria e principalmente para o "Gestor do Clube Empresa": por que empresas como o Expresso de Prata, Rede Confiança de Supermercados, Unimed, Plasútil entre outras não patrocinam o Esporte Clube Noroeste?
Será que é por falta de credibilidade causada pelas administrações anteriores e que levaram o clube a esta situação?