Economia & Negócios

EUA: mercado de trabalho em alta

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Washington - Nos Estados Unidos, os empregos é que estão buscando as pessoas. Em um cenário onde sobram postos e faltam trabalhadores interessados, os patrões é que precisam ir à luta.

As ofertas chegam mesmo para quem não está procurando. Nas caixas de correspondência, um panfleto de supermercado não traz ofertas, mas elenca as vantagens de trabalhar ali: salário competitivo, planos de saúde e de aposentadoria, escala flexível e plano de carreira.

"Junte-se à nossa família. Toda posição na loja é importante. Este não é só um trabalho --as pessoas realmente amam vir trabalhar aqui", promete uma mensagem assinada por Patrick Casey, gerente do supermercado Wegmans, que terá uma nova unidade em Washington.

Por mensagem celular, a Anazib abybcua vagas. O salário parte de US$ 22 (R$ 117) por hora e há um bônus de contratação de US$ 3.000 (R$ 15.983). Se o novo funcionário estiver vacinado contra a Covid, ganha mais US$ 100 (R$ 532). Para concorrer à vaga, basta responder "Y", de "yes".

Na Flórida, a transportadora Penske oferece US$ 10 mil (R$ 53.278) de bônus de contratação para motoristas de caminhão que aceitem uma vaga. O salário base é de US$ 1.200 (R$ 6.393) por semana, além de benefícios. Empregados que indicarem novos colegas para trabalhar podem receber mais US$ 5.000 (R$ 26.639) de presente.

Em cafés e restaurantes fast food, anúncios de vagas disputam espaço com fotos de comida. No McDonalds, há avisos de "estamos contratando" impressos no copo, no papel da bandeja e no cupom fiscal.

CONTA NÃO FECHA

As ações das empresas são uma resposta ao fenômeno apelidado de "Great Resignation": a grande renúncia. Ao longo de 2021, em torno de 4 milhões de pessoas por mês pediram demissão de seus empregos, e muitas delas não têm pressa de voltar. Assim, a conta do mercado de trabalho não fecha: 10,9 milhões de vagas foram abertas (a maioria delas para repor demissões) em dezembro, mas só 6,3 milhões de contratações.

Em janeiro, a expansão do emprego seguiu firme, mesmo com a alta dos casos de Covid, em um sinal de que a recuperação econômica segue robusta. Foram criados 467 mil novos postos de trabalho no mês.

"Há menos de uma pessoa disponível por vaga aberta: a média está em 0,76 trabalhador/vaga. É a menor taxa já registrada, e ela continua a cair", aponta Curtis Dubay, economista sênior da US Chamber, uma das principais associações empresariais do país. Uma das mudanças foi aumentar o número de vagas de meio período, cita.

AS RAZÕES

Há várias razões para a falta de trabalhadores. Muitos temem se contaminar com a Covid, especialmente ao ter contato com o público. Com o fechamento de escolas e creches, adultos tiveram de ficar em casa com os filhos. Americanos que estavam perto de se aposentar anteciparam a saída do mercado.

"Devido ao aumento dos auxílios do governo durante a pandemia, a diferença entre os benefícios financeiros de trabalhar ou não ficou menor, o que encorajou trabalhadores a seguirem fora do mercado", avalia Ernie Goss, professor da Universidade Creighton, no Arizona.

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