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USP testa sangue de búfalo e veneno de serpente para tratar lesões da face

Guilherme Tavares
| Tempo de leitura: 2 min

Em vez das cirurgias convencionais, pesquisadores da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP trabalham em uma alternativa mais barata e simples para tratar lesões na face com uma cola cirúrgica composta por sangue de búfalo e veneno de serpente. O estudo faz parte de uma pesquisa de doutorado e faturou a menção honrosa na categoria Revelação (para pesquisadores com até 30 anos de idade) do Prêmio Pio Corrêa de Inovação em Ciências Farmacêuticas da Biodiversidade Brasileira, instituído pela Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil.

A pesquisa mira um alarmante problema de saúde pública. Pesquisa publicada na Neurology India mostra que 90% das lesões do nervo facial ocorrem por acidentes automobilísticos. E de acordo com o mais recente Relatório Global de Segurança no Trânsito, publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2018, o Brasil ocupa o quinto lugar no ranking no mundial de vítimas de trânsito.

A cola cirúrgica aplicada no procedimento é conhecida como selante de fibrina, desenvolvido pelo Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap) da Unesp de Botucatu. A composição utiliza a giroxina, um poderoso coagulante extraído do veneno de cascavéis, associada ao fibrinogênio, material do sangue de búfalo, mais eficiente do que o sangue humano na cicatrização de tecidos. O adesivo biológico possui ainda outras aplicações e pesquisas em fases mais avançadas (leia mais nesta página). A novidade do trabalho da USP é testá-la para tratamento de lesões no rosto.

"O prêmio é importante para popularizar nosso trabalho, para as pessoas conhecerem as técnicas que desenvolvemos aqui. Pessoalmente é muito relevante para minha carreira", comemora o cirurgião-dentista Cleuber Rodrigo de Souza Bueno, doutorando em cirurgia experimental e autor do estudo. "Ficamos felizes. Nossa pesquisa concorreu com outros 200 trabalhos de todo o Brasil, então é um grande reconhecimento estar entre os mais importantes", complementa o orientador, professor Rogério Leone Buchaim, também cirurgião-dentista.

MAIS BARATO E SEGURO

"As cirurgias convencionais são feitas com pontos de sutura, que podem ocasionar fibroses. Outras pesquisas tentaram substituí-los com colas cirúrgicas feitas de sangue humano, mas elas são muito caras e podem ocasionar infecções ou rejeições. Já o selante de fibrina não tem efeitos adversos e o custo é mais baixo", explica Cleuber. Ainda segundo o pesquisador, os resultados foram considerados iguais ou até melhores do que os tratamentos convencionais.

"A reconstrução de nervos faciais precisa ser feita com microscópio cirúrgico e fios de alto custo. O uso da cola é bem mais simples de executar", avalia o orientador. A pesquisa feita em laboratório ainda não tem prazo para testes clínicos em humanos.

 

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