A primeira dose da vacina contra a Covid-19 já chegou ao braço de 50% das crianças de 5 a 11 anos de Bauru. Segundo dados do Departamento de Saúde Coletiva do município, desde o dia 18 de janeiro, quando a imunização deste público-alvo começou, até 11 de fevereiro, 15.213 doses pediátricas haviam sido aplicadas, totalizando uma cobertura de 50,7% dos cerca de 30 mil moradores da cidade nesta faixa etária.
Para o diretor do departamento, Ezequiel Santos, a vacinação de metade das crianças no intervalo de menos de um mês é um resultado satisfatório. Porém, avalia que o índice poderia ser maior, considerando o volume de vagas ofertadas para o agendamento de vacinas infantis contra a Covid-19, que hoje está em 1.100 por dia.
"Felizmente, foi um processo mais rápido do que tivemos no início da vacinação dos adultos. Mas, poderíamos ter vacinado mais crianças, até porque temos duas vacinas, a da Pfizer e Coronavac, sendo esta última de fácil acesso. Então, não faltam doses. O que há uma resistência dos pais, muita desinformação, por mais que a gente reforce que a vacina é segura", avalia.
De acordo com o diretor, o episódio da menina de 10 anos que sofreu uma parada cardíaca pouco tempo depois de tomar a vacina contra a Covid-19 em Lençóis Paulista, em janeiro, contribuiu para aumentar a desconfiança de pais de crianças, mesmo depois de ficar comprovado que a dose aplicada não provocou o quadro clínico apresentado pela garota. Ela possuía uma doença congênita rara até então desconhecida pela família.
"Há, também, uma enorme quantidade de fake news circulando, que só levam as pessoas à mais desinformação", acrescenta Santos. Considerando que o município disponibiliza, por dia, 1.100 vagas para vacinar crianças, ele calcula que 70% do público-alvo, de 5 a 11 anos, já poderia ter recebido a primeira dose em Bauru.
VAGAS OCIOSAS
"Temos vagas ociosas e metade das crianças ainda não foi a uma unidade de saúde. E temos percebido que as unidades periféricas, principalmente onde estão os programas de Saúde da Família, vacinam mais do que as que ficam em regiões mais centrais. Ou seja, as pessoas com menor renda estão mais mobilizadas para receber as doses", frisa.
Na tentativa de ampliar a cobertura, a Secretaria Municipal de Saúde, inclusive, passou a disponibilizar, recentemente, vacinas no período da tarde em algumas unidades, com o objetivo de facilitar o deslocamento, até o posto, de crianças que estudam de manhã ou de pais que só conseguem levar seus filhos após o horário de almoço.
O diretor do Departamento de Saúde Coletiva lembra que, ainda que a incidência de manifestações graves da Covid-19 em crianças seja menor, a doença pode, sim, levar à internação de pacientes pediátricos, especialmente daqueles que possuem comorbidades. "Mesmo que a criança consiga se curar, ela pode ficar com sequelas. Há, por exemplo, a síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica, que está associada à Covid e pode aparecer após a remissão da doença. Ou seja, não é porque a criança tem menor risco de morrer que ela não precisa tomar a vacina", observa.