A reunião realizada entre a Cohab, Prefeitura de Bauru e a Caixa, em Brasília, nesta terça-feira (15), abriu a possibilidade de negociação da dívida que a Caixa cobra da companhia habitacional, de R$ 1,7 bilhão, mas que para a Cohab é inferior a 10% deste valor. A proposta inicial feita pela Caixa para quitar a dívida gira em torno de R$ 450 milhões, com parcelamento em 240 meses. Porém, até março novas reuniões devem ocorrer entre os técnicos do banco e da companhia para que se chegue a um valor de consenso.
A reunião contou com a prefeita Suéllen Rosim (Patriota), o secretário de Finanças, Everton Basílio; a coordenadora de convênios, Andrea Blasque; o presidente da Cohab, Coronel Alexandre Canova, e o vereador Coronel Meira (PSL), além de técnicos contábeis e jurídicos da prefeitura e da companhia. Por parte da Caixa, participaram a vice-presidente de Logística e Operações Henriete Alexandra Sartori Bernabe, uma equipe do FGTS, advogado do contencioso e agentes de relações institucionais do banco.
Durante a reunião, a prefeita e o presidente da Cohab fizeram exposições sobre os recálculos que vem sendo feitos pela entidade, que demonstrariam os valores adequados dos 97 contratos que vêm sendo cobrados. O Coronel Meira relembrou que um acordo proposto pela então diretoria da Cohab, durante a gestão do ex-prefeito Clodoaldo Gazzetta, chegou a ser aprovado na Câmara, mas foi suspenso após a deflagração da operação João de Barro, que culminou com o afastamento do ex-presidente da companhia Edson Gasparini Junior.
ENCONTRO DE CONTAS
O vereador Meira sugeriu que um encontro de contas seja feito para equacionar as dúvidas sobre os valores, inclusive considerando ativos que a Cohab teria a receber, segundo auditoria. "O que acho de mais importante é que a Caixa entendeu, compreendeu e aceitou as ponderações apresentadas pelo Cohab", ponderou o vereador.
Com as explanações feitas pela comitiva de Bauru, segundo Meira, a vice-presidente do banco sugeriu então que novas reuniões sejam realizadas até o próximo mês entre os técnicos contábeis da Cohab, prefeitura e Caixa, em Brasília, para que possam ser discutidas as metodologias que foram usadas pelos dois órgãos para chegarem aos valores respectivos, que apresentam grande diferença.
Também na reunião foi aberta a possibilidade de que os processos de cobrança judicial em andamento sejam suspensos, o que também será discutido em novas reuniões entre a equipe jurídica de Caixa e Cohab, que também devem ser realizadas até março.
Com estes dois pontos equacionados, a expectativa é que se chegue a um consenso entre os valores, para que a prefeita possa se reunir novamente com a Caixa e definir prazos para pagamento.
ACIONISTAS
Outro ponto discutido na reunião é a existência de uma lei municipal em Bauru que transfere para a prefeitura, como maior acionista, a totalidade da dívida da Cohab, o que passaria para o município 97% de qualquer valor definido. Segundo Meira, outros quatro municípios são acionistas e juntos somam cerca de 25%, o que deixaria para Bauru o percentual aproximado de 72% do montante que for estabelecido. A discussão em torno da revogação da lei deve caminhar também nas próximas semanas no Poder Legislativo.