Uma estudante de 16 anos que atuava como jovem aprendiz de vendedora em uma grande rede de lojas, em Bauru, se viu obrigada a pedir demissão, nesta terça-feira (15), após ser transferida de período na escola, de forma compulsória. Em nota enviada na noite desta terça (15), a Secretaria de Estado da Educação informou que a estudante e os demais alunos com o mesmo problema na E.E Ayrton Busch poderão iniciar as atividades no período noturno, nesta quarta-feira (16) (leia mais abaixo).
Evelyn de Souza Gonçalves é aluna do 2.º ano na E.E. Ayrton Busch e estudava no período noturno até o ano passado. Ela conta que fez a rematrícula em dezembro de 2021, tendo apresentado, no ato, o comprovante de trabalho, para continuar no turno em questão, mas, quando as aulas voltaram, em 2 de fevereiro, ela estava matriculada no período da manhã. E sem possibilidade de transferência.
Para não perder a vaga no Estado, a estudante decidiu parar de faltar e informou à empresa, nesta terça-feira (15), que, para completar o Ensino Médio, teria que abrir mão da renda e do aprendizado no mercado de trabalho.
"Eu trabalho das 8h45 às 12h45 de terça, quinta, sexta e sábado. E na segunda e quarta-feira, das 8h às 11h30, faço um curso de aprendizagem para o mercado de trabalho. Tentamos conversar na escola, mas não teve jeito. Eu chorei muito, porque sempre quis ser jovem aprendiz e ter minha renda para poder comprar minhas coisas, mas o estudo tem que vir primeiro", lamenta a estudante.
A mãe dela, a operadora de caixa Rose Souza, de 35 anos, conta ter ido até a Diretoria Regional de Ensino (DRE) na tentativa de reverter a situação, mas a orientação teria sido apenas de que a estudante deveria comparecer às aulas até esta terça-feira (15), caso contrário, poderia perder a vaga.
MAIS ALUNOS
Rose aponta que a escola teria lhe apresentado uma lista com nomes de mais de 15 alunos que também tentavam transferência para o turno da noite.
"A escola mudou todo mundo sem falar nada. É complicado isso, porque tem muito aluno que trabalha", critica Rose.
Assim como Evelyn, Victor Hugo Campos Rodrigues, de 17 anos, que é aprendiz em uma empresa de baterias na cidade, estava matriculado no 2.º ano noturno da E.E. Ayrton Busch, mas foi trocado de período sem saber.
"Passei muito nervoso. Meu filho trabalha há um ano nessa empresa e estava muito triste com isso tudo", comenta a mãe dele, a faxineira Andreza Rodrigues, 35 anos.
RESOLVIDO
A Secretaria de Estado da Educação foi questionada pelo JC na manhã desta terça-feira (15) sobre as situações apontadas. A vaga noturna de Victor foi liberada logo no início da tarde. E a de Evelyn, no início da noite.
A pasta informou ainda que os demais estudantes da escola em questão, "estão tendo a matrícula efetivada no período noturno na E.E. Ayrton Busch". E que eles poderão iniciar as atividades nesta quarta (16). A escola deve ser contatada em caso de dúvidas.
"A diretoria de ensino (DRE) e a escola estão à disposição dos pais e responsáveis pelos alunos para quaisquer esclarecimentos", finaliza a pasta.