Tribuna do Leitor

Ele peitou Vargas e Hitler

Prof. Gilberto Sidney Vieira
| Tempo de leitura: 1 min

Luís Martins de Souza Dantas, embaixador do Brasil em Paris, de 1922 a 1944. Diplomata experiente, dotado de grande inteligência e perspicácia.

Em 1937, judeus na Alemanha temiam a ideia fixa de Hitler em praticar o holocausto (= a solução final). Judeus começaram o êxodo. Getúlio Vargas, então ditador, tinha velada admiração por Hitler.

Baixou uma circular sigilosa, para a diplomacia brasileira na Europa, dificultando a entrada de judeus no Brasil. Dantas ignorou as ordens de Getúlio. Emitindo vistos.

Sem exigir nada em troca.

Em 10/5/1940, a França foi invadida pelos nazis. Em 12/12/1940, Getúlio Vargas proibiu terminantemente Dantas de conceder vistos para judeus. Mas Dantas deu os vistos. Usando datas anteriores a 12/12/1940.

Emitiu 800 vistos. Incluindo homossexuais, comunistas, ciganos e pessoas com problemas físicos e mentais (que Hitler abominava também).

Em 22/8/1942 submarinos nazis afundaram navios mercantes brasileiros. Getúlio declarou guerra à Alemanha.

Aí a Gestapo, em Paris, levou Dantas para uma prisão na Alemanha. Após 14 meses, Dantas foi libertado numa troca por espiões nazis, detidos no Brasil.

Em 6/6/1944 os aliados invadiram a França. Os nazis iniciaram o retorno paulatino para Berlim. Em 21//11//1944 Getúlio inscreveu o nome de Dantas no "Livro do Mérito Nacional".

Em 2/5//1945, os nazis foram acuados em Berlim. Eles se renderam em 7/5/1945 às tropas aliadas (lado oeste). Em 9/5/1945 às tropas soviéticas(lado leste).

Dantas recebeu em 10/12/2003 uma placa de agradecimento no Museu do Holocausto, em Jerusalém. Arriscou sua vida para salvar judeus do extermínio.

Norteado só pela empatia.

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