Talvez o título deste texto pareça complicado e sem nexo, por isso já me explico. Eu poderia ter escrito: Waldomiro Rett, nosso Prof. Lutzenberger. Mas, não! Sempre tive a maior admiração pelo prof. José Lutzenberger, que foi um escritor, filósofo, paisagista e ambientalista brasileiro, que nasceu em 1926. Numa época em que a ecologia não era moda, esse gaúcho já defendia o meio ambiente. Era contra o desmatamento da Amazônia e denunciou o Ibama como uma "sucursal das madeireiras". Por isso nunca duravam muito suas passagens por órgãos do governo.
Waldomiro Rett nasceu ao menos 5 ou 6 anos antes. Por isso, o mundo aí fora tem o seu Waldomiro Rett, que atendeu pelo nome de José Lutzenberger. Nós temos o único e verdadeiro Waldomiro Rett.
Sr. Waldomiro é uma pedra preciosa de Pederneiras. Vai completando agora seus 100, com uma história que é digna de orgulho, porque seus serviços e obras estão eternizados nas residências e estabelecimentos daqui e de nossa região, alcançando outras plagas mais longínquas, como quando exterminou as formigas na mata onde a colônia de férias da Fepasa foi construída, na Praia Grande. Reivindica a Darwin esta sua longevidade, que o contemplou com essa intimidade com as coisas da Natureza, resultando nesta harmonia saudável. Certa vez, eu estava num pesqueiro e o encontrei. Revelou conhecer meus avós, meus pais, e entabulamos uma conversa longa e profícua Sim, é dono de um vocabulário interessante, próprio, nunca rebuscado. Verborrágico, deposita na ganância o grande motivos das malfadadas relações humanas de hoje, revelando aí o socialista utópico e matuto, mesmo sem levantar bandeiras.
Mas não desfaz do progresso. Não é daqueles que falam que antigamente era melhor: "Antes, minha porta era fechada com tramela. Hoje eu aperto um botão e ela abre de longe"! (segue um sonoro palavrão). É ferroviário aposentado. Foi Juiz de Menor. Seria o Conselho Tutelar de hoje. E eu o bem sei, porque o grande técnico em Prótese Dentária, José Gouveia, com quem aprendi mais sobre Prótese do que com meus professores da Faculdade, me dizia que quando moleque, caçava 'lépe'(sic) de cigarro (bituca) nos trilhos do trem, sempre fugindo do Sr. Waldomiro Rett, que não permitia às crianças essa prática.
Comento aqui, não por ter apenas ouvido falar, mas por ter tido o contato pessoal com essa lenda de nossa cidade, esta a fonte melhor. Quando alguém fazia uma calçada ecológica, por exemplo, ele se encarregava em contar pra cidade inteira este fato. E matava formigas, assim é conhecido. Caçava a Rainha. Aprendeu com seu amigo Mario Autuori, o maior Entomologista que o Brasil já conheceu. Portanto, sempre lidou com a verdade. Científica, e pela sua experiência empírica e não menos sábia
Foi entrevistado por Jô Soares em seu programa na Rede Globo, deixando o apresentador e a plateia perplexos com seu conhecimento.
Por várias vezes, quando estávamos tomando nosso aperitivo de fim de semana, a campainha tocava. Era ele. Que respondia: "Vim matar formiga". Mas no caminho até o quintal, ficava a cozinha, onde a cerveja estava bem gelada e o salaminho também já se encontrava com o devido limão espremido por sobre suas fatias. Uma pequena parada ali não faria mal, e a conversa seguia longa e nutritiva, como sempre são as tertúlias em que ele participa. Muitas vezes, as formigas eram deixadas pra segunda-feira.
Sou useiro e vezeiro desta frase e ao perguntarem pelo interfone o que eu quero, respondo: "Vim matar formiga". A porta se abre como que num passe mágica. Será minha eterna homenagem a esse homem, com quem aprendemos muito.
Parabéns e obrigado, Sr. Waldomiro Rett.
O autor é especialista em Ortodontia e em Saúde Pública, colabora com Opinião.