Em Bauru, a entrega de cestas básicas pela Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes) foi substituída pelo fornecimento de um cartão-alimentação, como benefício eventual, de R$ 100,00 às famílias em situação de vulnerabilidade. Porém, recebem o recurso somente aquelas que estavam cadastradas na época. Por isso, hoje, quem vai ao Centro de Referência em Assistência Social (Cras) em busca de alimento imediato, acaba inserido em uma fila de espera.
Segundo o vereador Julio Cesar, que acompanha o caso, moradores relataram a ele que, nos últimos meses, quando vão até o Cras pedir cestas básicas, são informados de que o órgão não consegue fornecer o auxílio de imediato e pedem um prazo de até 90 dias.
Isso porque, conforme o JC noticiou, desde novembro do ano passado está sendo usado o duodécimo (dinheiro que a prefeitura repassa ao Legislativo) de R$ 1,8 milhão que foi devolvido pela Câmara Municipal. O valor é utilizado pela Sebes para atender, durante cinco meses, com parcelas de R$ 100,00, como benefício eventual, 3,8 mil famílias carentes da cidade que já estavam cadastradas no Cras e no Cadastro Único (CadÚnico) na época. A última parcela do duodécimo será depositada pela Câmara no mês que vem.
Por outro lado, o recurso municipal da Sebes, usado mensalmente para adquirir cestas básicas, ainda não foi utilizado este ano. Segundo a pasta, com o montante, serão comprados cartões-alimentação (leia mais abaixo).
Enquanto isso, as novas pessoas em situação de vulnerabilidade que buscam alimento no Cras, são apenas cadastradas e inseridas na fila. "Caso a assistência social avalie que alguma família que recebe o cartão-alimentação tem condições de seguir sem o recurso ou ocorra alguma desistência, ele é repassado para esses da fila. Em algumas situações, as cestas ainda são entregues a famílias não beneficiadas pelo cartão, quando há disponibilidade de cestas básicas, recebidas por doações da sociedade. Mas todos em vulnerabilidade devem procurar o Cras mais próximo. Ninguém fica sem atendimento", afirma a titular da Sebes, Ana Sales.
Já o parlamentar avalia que, por conta da pandemia, cresceu a quantidade de pessoas que precisam de auxílio e, por isso, a prefeitura também precisa aumentar sua rede de assistência. "Acredito que precisa ser feita uma intervenção junto ao Estado. O número de doações também caiu muito. Fui ao depósito (onde ficam as cestas básicas) e estava vazio. Senti muita tristeza ao ver aquilo, já que muitas pessoas estão passando fome", declara Julio Cesar.
POBREZA
Os números, inclusive, confirmam a opinião do vereador. Segundo dados do CadÚnico, Bauru, atualmente, tem 10.944 famílias em extrema pobreza e 3.390 famílias em condição de pobreza.
E, mesmo com tantas pessoas precisando de ajuda, a partir de abril, deve cair pela metade a quantidade de cartões-alimentação distribuídos pela Sebes. Com recurso municipal próprio, a pasta tem condições de atender 1.780 famílias por mês com o cartão-alimentação de R$ 130,00, também como benefício eventual. Já está, inclusive, sendo feito o cadastramento das pessoas que precisam do auxílio.
Antes, com o mesmo valor, era possível comprar apenas 800 cestas básicas por mês. "Com o cartão, as famílias terão mais autonomia para decidir o que comprar com o valor. Podem comprar mistura, leite, frutas", complementa a secretária da Sebes, Ana Sales.
Está em processo de licitação a contratação da empresa que emitirá os cartões e distribuirá os créditos aos beneficiados durante 12 meses, até abril de 2023.
DOAÇÕES
Doações de alimentos podem ser feitas ao Fundo Social de Solidariedade (FSS), que fica na Praça das Cerejeiras, 1-59. Mais informações pelo (14) 3235-1021.