Economia & Negócios

Maior procura por carros seminovos gera falta de peças para reposição

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

A escassez de carros zero quilômetro, que levou à disparada na procura por veículos seminovos, provocou um novo fenômeno, também com consequências para o consumidor: o crescimento da demanda por autopeças que, por sua vez, já resulta em falta de itens para reposição nas lojas.

Dependendo do componente, conforme relatam empresas ouvidas pelo Jornal da Cidade, a espera para um cliente conseguir uma peça para reparar ou concluir a revisão do carro seminovo pode chegar a três meses. E não há previsão  para que o problema seja contornado, até porque a alta procura não é o único entrave.

Outras dificuldades são o encarecimento dos insumos e a dificuldade dos fornecedores garantirem o abastecimento no mundo. Todo esse desarranjo da cadeia logística tem origem na pandemia da Covid-19, que fechou portos e aeroportos e levou à redução da produção industrial em 2020, frente à queda do consumo.

Depois, a retomada abrupta da demanda não foi acompanhada, no mesmo ritmo, pela oferta de matérias-primas e produtos, e os preços subiram. "As montadoras nos informam que alguns fornecedores delas faliram durante a pandemia e também há dificuldade para negociar preços, devido à falta de insumos, como chapas, poliuretano e chips semicondutores. Isso tudo atrasa a produção e, aí, há demora para entrega de peças", enumera Wilson Renato da Costa Alves, gerente do departamento de peças da Felivel.

De acordo com ele, as lojas não registram dificuldade para ofertar itens de alto giro, ou seja, aqueles que são mais vendidos, como filtro de óleo e óleo, que são básicos em revisões periódicas dos veículos. Porém, peças menos comuns, como grades de radiador, componentes de motor ou painéis frontais, o tempo de espera chega, em média, a 15 dias, podendo se estender a até três meses, dependendo da época.

ATRASOS

Vendedor de peças da Amantini Veículos, Victor Bevilacqua Rodrigues menciona que os atrasos também decorrem de dificuldades enfrentadas por transportadoras durante a pandemia. Ele, explica, contudo, que o tempo de espera tende a ser maior para peças de veículos mais antigos, já que as indústrias têm priorizado a reposição de itens de veículos com fabricação a partir de 2015.

"Elas estão parando de fabricar peças de automóveis de 2010 ou de anos anteriores, porque a demanda está baixa. Então, neste caso, o cliente tem de recorrer à Internet ou a desmanches", comenta.

Além de ter de lidar com uma espera maior, o consumidor também passou a pagar entre 10% e 15% mais caro pelos itens de reposição, percentual que pode ser ainda mais alto para partes da lataria e componentes dos motores, cujos preços foram influenciados pela alta do aço.

O mesmo ocorre com dispositivos eletrônicos e sensores. A sonda lambda, por exemplo, que tem o papel de evitar o gasto excessivo de combustível, ficou 40% mais cara no intervalo de apenas 12 meses.

"Como muitas matérias-primas, como aço, alumínio, vidro e plástico, são cotadas em dólar, os preços das peças subiram, assim como dos veículos novos em geral. Então, como o brasileiro médio tem dificuldade para comprar um carro zero, ele continua arrumando o que já tem. E isso fez com que o consumo de autopeças aumentasse bastante, intensificando essa dificuldade para atender toda a demanda. Isso vai demorar um pouquinho para normalizar", completa o proprietário da Paraná Autopeças e Acessórios, José Aparecido Faustino.

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