Primavera, com suas flores a
enfeitar
Ainda jovem realizei o sonho antigo
A muda do ipê eu contente a plantar
Cuidando dele ganhei um novo
amigo
Água não faltava, em nenhum
momento
Olhava para ele com alegre
semblante
Cresceram folhas, ao sabor do
vento
Lembro que nasceu de uma sã
semente
Descanso a seu lado será meu
abrigo
Tendo uma morada que tantos não
tem
Sem aguardar algum adeus dos
amigos. Poder oferecer um
bom abrigo a alguém
Sei, a minha árvore também tem
alma
Ou, será, foi mais um sonho
impedido?
Pra no futuro ter uma velhice calma
Para o alto o meu ipê será impelido
Junto a ele esqueço toda ociosidade
Vendo abelhas e pássaros nos
ramos
Me lembro dos momentos da
mocidade
Taciturno, vivo os meus últimos anos
Ao cessar o meu relógio necrológico,
Jornal da Cidade noticiar que morri,
Abraçada a seu tronco tão magnífico
A sombra da minha alma ficará aqui