Moscou - A guerra de versões alarmistas acerca da crise na Ucrânia chegou a um paroxismo nesta sexta (18), com os rebeldes pró-Rússia do leste do país anunciando uma retirada de civis porque temem uma ação iminente das forças de Kiev contra a região.
Para políticos ocidentais, isso pode ser a senha para uma operação de bandeira falsa, quando o adversário promove um ataque ou incidente destinado a criar um pretexto para retaliar. A realidade é mais complexa, mas os líderes das autoproclamadas Repúblicas Populares de Donetsk e de Lugansk jogaram gasolina na fogueira.
"Em primeiro lugar, mulheres, crianças e idosos estarão sujeitos à evacuação. Pedimos gentilmente que vocês ouçam e tomem a decisão certa. A partida temporária salvará a vida e a saúde de você e de seus entes queridos", escreveu em comunicado Denis Puchilin, líder da república de Donetsk.
Ele disse que "a liderança da Rússia" já disponibilizou locais para receber refugiados na região de Rostov, adjacente à área. Isso casa com a fala do presidente Vladimir Putin, ao lado do aliado Aleksandr Lukachenko, que o visitou nesta sexta no Kremlin. "A situação no Donbass (o leste ucraniano) está muito perigosa", afirmou.
CONTRAPONTO
Dando sequência à sua campanha de denúncia do que chama também de risco iminente de invasão russa da Ucrânia, os Estados Unidos agora estimam que Moscou tem mobilizados de 169 mil a 190 mil soldados em torno do vizinho, quase o dobro do nível registrado no fim de janeiro.
Foi o que disse o embaixador Michael Carpenter em uma reunião de emergência da OSCE (Organização para Segurança e Cooperação na Europa) nesta sexta (18) em Viena. "É a mais significativa mobilização militar na Europa desde a Segunda Guerra Mundial", afirmou.
A afirmação, chamada de alarmismo vazio pelo Ministério das Relações Exteriores da Rússia, está em linha com a retórica do presidente Joe Biden, que desde o começo do ano anuncia uma incursão. bélica O Kremlin nunca confirmou números, mas desde segunda (14) tem anunciado retiradas de partes das tropas que participavam de exercícios militares em lugares como a Crimeia anexada.