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Quase metade dos que tomaram 2ª dose da vacina está com o reforço atrasado

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Quase metade dos moradores de Bauru que tomaram a segunda dose da vacina contra a Covid-19 e já cumpriram o prazo para receber o reforço ainda não retornou aos postos de saúde para completar o esquema de imunização. A estimativa é do Departamento de Saúde Coletiva do município.

O órgão calcula que 90% das 296.637 pessoas que foram vacinadas com duas doses até a última sexta-feira (18) já poderiam receber a dose adicional, o que representa um contingente de 267 mil moradores. Destes, 145.492 atualizaram o esquema vacinal e cerca de 121,5 mil (45,5%) ainda estão com a imunização atrasada.

Segundo o diretor do Departamento de Saúde Coletiva, Ezequiel Santos, no começo deste ano, quando o número de casos e mortes por Covid-19 voltou a aumentar, houve alta expressiva de procura pela terceira dose, boa parte em razão das pessoas com a imunização em atraso que temeram ser infectadas pelo coronavírus. Na época, inclusive, muitos moradores relataram dificuldades para conseguir agendar suas vacinas.

"Porém, agora, em um momento em que a curva de casos e mortes está decrescendo, já temos ociosidade de vagas", relata Santos. Este fenômeno, que ocorre no País todo, tem sido chamado, por especialistas, de 'negacionismo de terceira dose'.

De acordo com o médico infectologista Carlos Magno Fortaleza, professor da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu, as causas deste comportamento da população são múltiplas. Uma delas, ele aponta, é a disseminação de notícias falsas sobre a segurança da dose de reforço, que visam promover medo e desinformação entre as pessoas.

"Essas notícias inverídicas lançam dúvidas sobre o fato de estarmos usando uma vacina diferente das duas primeiras para a terceira dose", frisa ele, que foi membro do Centro de Contingência do Coronavírus do governo do Estado.

Outro motivo foi a queda da mortalidade observada com a aplicação das duas doses. E, segundo Fortaleza, há uma tendência das pessoas em agirem movidas por aspectos emocionais, a partir de sua vivência mais imediata, que muitas vezes não coincidem com o que é recomendado pelas autoridades sanitárias.

"Assim, quando parentes ou pessoas conhecidas não morreram mais depois da segunda dose, muitas pessoas passaram a questionar se a terceira era realmente importante. Em seguida, com a chegada da onda provocada pela ômicron, variante que supostamente provoca manifestações mais leves, elas continuaram se sentindo seguras para permanecerem só com as duas doses".

O médico explica, contudo, que o reforço da imunização é necessário porque, conforme estudos internacionais têm demonstrado, duas doses da vacina geram baixa proteção contra a ômicron, enquanto a terceira dose eleva substancialmente esta 'barreira'. É ela responsável por aumentar a produção de anticorpos neutralizantes contra a doença, que vão naturalmente diminuindo com o passar do tempo.

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