Economia & Negócios

Marcas investem em moda pós-pandemia

Marília Miragaia
| Tempo de leitura: 3 min

Moletons coloridos e chinelos anatômicos invadiram redes sociais e vitrines de marcas na quarentena - entre elas, a Mr. Cat, que lançou há pouco tempo tênis e sandálias em collab com a Fom, conhecida por almofadas e puffs. Mas, mesmo com a perspectiva de volta de eventos sociais e do trabalho presencial, pequenos empresários apostam que o estilo "comfy" deve se manter no pós-pandemia.

Adepta do conceito, a marca g.RIZ, de Campinas, interior de São Paulo, nasceu em 2018, mas entre março de 2020 e de 2021 abriu seu ecommerce, expandiu a atuação para todo o país e teve um aumento de mais de 200% nas vendas.

O crescimento foi impulsionado por lançamentos, desde abril do ano passado, de produtos como o kit com blusa e short feito em malha de linho, um tecido macio, pensado para quem quer se sentir bem em casa sem ter que vestir pijama, afirma Gabriella Falzetta Rizzo, 31, sócia da marca ao lado de duas irmãs.

As empreendedoras também criaram conjuntos de moletom, que em maio do ano passado estavam disponíveis em cinco cores. Em abril de 2021, já eram 24 tonalidades em dois novos modelos. A paleta diversificada é uma característica da marca, que atendeu uma demanda de clientes, diz Gabriela.

"Antes da pandemia, parecia que você tinha de optar por conforto ou beleza. A pessoa até usava um sapato desconfortável por algumas horas, porque achava que tudo bem. Depois de ficar em casa, consumidores aprenderam que essas duas coisas conseguem andar juntas", afirma.

As próprias irmãs fazem os pilotos das peças e as testam - modelos que incomodam durante o movimento, por exemplo, são reformulados. Agora, com a proximidade do verão, a marca está lançando biquínis feitos de neoprene texturizado, que também priorizam o conforto.

Coordenadora da pós-graduação em Negócios e Marketing de Luxo na ESPM, Katherine Sresnewsky diz que produtos de "comfort wear" estão mais criativos e ganharam novas modelagens e cores. Mas, com a chegada de mais empresas a esse segmento, ela lembra que empreendedores terão de criar estratégias para se diferenciar. "Todo mundo está indo para o 'comfort wear'. Você vai vender o básico com conforto. Mas o que você agrega com a marca? Qual é seu propósito?", diz Sresnewsky.

Em março de 2020 a empresária Veronica Pereira lançou a Bass com quatro peças vendidas só em lojas físicas de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. O conceito, desenvolvido no semestre anterior, foi pensando para atender uma mulher que prioriza o bem-estar e precisa de peças versáteis para o dia a dia, mas quer estar arrumada, diz Veronica. O alinhamento com as necessidades trazidas pela pandemia, diz a empresária, garantiu um bom desempenho de vendas.

"Há uma revisão da noção de elegância e de ideais de beleza. Trazemos isso com tecido de qualidade, sem usar babados ou brilhos. E com uma modelagem mais ampla, que consegue se adaptar a diferentes corpos", diz a empresária. Na retomada, Veronica acredita que as clientes devem levar as roupas confortáveis para o escritório e outras situações, além de momentos de lazer e finais de semana.

 

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