Devido a interdição para obras na erosão do prolongamento da avenida Rodrigues Alves, centenas ou até milhares de veículos passaram a trafegar por uma pista de terra "clandestina" e fora do mapa, de um dia para o outro. Eram poucos os que a utilizavam e a divulgação no "boca a boca" foi grande entre os condutores. Este trecho fica paralelo a uma linha férrea que corta um assentamento situado entre o Distrito Industrial 1 e o Núcleo Octávio Rasi. Mas há riscos. Trata-se de uma rota alternativa, sem estrutura de sinalização e iluminação. Entretanto, desde a última semana, ela tem sido acessada por muitos moradores da região, principalmente os do Residencial Terra Nova, que tiveram sua mobilidade urbana bastante prejudicada.
TRAJETO
A reportagem constatou percorrendo a estrada que ela é estreita, perigosa e possui crianças e animais atravessando durante o dia, devido a barracos e casas estarem a poucos metros. Para chegar a esta rota, o motorista que vai no sentido Centro-bairro com destino ao Octávio Rasi precisa margear o prolongamento da Rodrigues Alves pela rua Joaquim Marques de Figueiredo, até a quadra 9, dentro do Distrito Industrial. Ali é preciso convergir à esquerda, já que a interdição está no quarteirão 10. Acessando a rua Nilton Salmen, é necessário ir até o final dela, por cerca de 400 metros, e virar à direita. Cerca de 20 metros à frente tem uma linha férrea onde os condutores acessam à esquerda e depois seguem a trilha de terra onde só passa um carro por vez, até chegar aos fundos do Ecoponto do Octávio Rasi. A rota é a mesma para quem vai no sentido contrário, contudo, os veículos precisam se revezar e dar a passagem uns para os outros.
PERIGOSO
Segundo uma das moradoras do Terra Nova, a advogada Érika Branco, o primeiro caminho alternativo era circundar o muro aos fundos do condomínio, porém, após uma chuva forte, a lama impediu os carros de passarem e a rota foi substituída. "Em determinado momento, começaram a falar desse outro caminho, o da linha férrea, que quase ninguém conhecia, e foram passando a informação. Agora muita gente está passando por lá. Eu fui uma vez, para nunca mais. É perigoso por diversos motivos. Um deles é o fato de passar rente a uma queda da margem de córrego. Se lá na Rodrigues, que tinha estrutura, a chuva levou, imagina aqui", comenta a munícipe.
A advogada acrescenta que, apesar de maquinários da prefeitura terem alinhado o terreno, por motivos de segurança ela prefere ir trabalhar pelo Tangarás ou via Getúlio Vargas, por cima, via rodovia Bauru-Jaú, o que aumenta o trajeto em até 10 quilômetros.
Outro que não arrisca é o dono de marmitaria João Victor de Oliveira. Seu negócio fica no Distrito. Apesar do prejuízo de perder mais de 30 unidades por dia no residencial, ele não arrisca deixar os entregadores passarem por ali.
PREFEITURA
A Secretaria de Obras informou que este caminho alternativo na região do Rasi e Distrito Industrial já é utilizado há muito tempo. Agora, com a interrupção do prolongamento da avenida Rodrigues Alves, a pasta, com a autorização do proprietário da área, realizou algumas melhorias no acesso, como contenção de erosões e voçorocas.
A secretaria não pode interferir/proibir passagem de veículos (mesmo caminhões pesados), porque trata-se de uma área particular, portanto, não é uma estrada oficial.
EMDURB
Já a empresa municipal de Bauru disse que a solicitação para sinalização deste trajeto chegou na Emdurb e será analisada pela engenharia de trânsito. Segundo o órgão, está sendo desenvolvido um projeto para implantação das placas de "rotas alternativas" e de peso bruto total máximo permitido, de 10 toneladas.