Uma proposta pode ajudar Bauru, ainda em 2022, a amenizar o problema crônico de falta d'água que atinge a cidade todos os anos durante a estiagem. A ideia, defendida pelo vereador Marcelo Afonso (Patriota), é drenar e desassorear uma área de aproximadamente 30 hectares à montante da lagoa de captação do rio Batalha (em direção à nascente), para formar um reservatório capaz de armazenar água do afluente e também do Córrego do Veado. Dessa forma, a Estação de Tratamento de Água (ETA) do DAE passaria a contar com cerca de 1 bilhão de metros cúbicos de reservação.
De acordo com o parlamentar, com uso de maquinário seria possível rebaixar a área de confluência do Batalha com o Córrego do Veado e transformá-la em reservatório. "É um trabalho que dá para executar ainda esse ano, uma prioridade para não sofrer com racionamento. Vai chegar agosto, setembro, todo mundo vai voltar a falar sobre falta d'água. A ação tem que ser feita agora. Algo semelhante foi feito no Córrego do Veado ano passado e deu diferença, aumentou a quantidade de água que chega à lagoa da ETA", argumenta.
O engenheiro florestal Gabriel Motta, chefe da seção de recursos naturais da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de Bauru (Sagra) e administrador provisório da ONG PróBatalha, também encabeça a ideia. Segundo ele, o excesso de vegetação na região, principalmente de taboas, impede o fluxo contínuo do Batalha. "A água chega e para na área, acaba se espraiando, vira um banhado. Tem muita sedimentação, é um trecho assoreado. Com a limpeza, conseguimos liberar o fluxo do Batalha e fazer essa água chegar à lagoa de captação".
PERMANENTE
Ainda segundo Motta, a media é viável desde que se transforme em ação permanente. "Precisa ser um trabalho constante, estar sempre limpando a área. Em paralelo, a Sagra realiza um trabalho de manejo e conservação do solo na bacia do alto Batalha, para reduzir a quantidade de sedimentos que chegam à região", explica. Para tanto, será necessário empregar escavadeiras, hidrotratores e outros equipamentos.
O Rio Batalha é fonte de abastecimento para 35% dos moradores de Bauru. Em 2021, durante uma das estiagens mais severas dos últimos anos, o nível da lagoa da ETA chegou abaixo dos 2 metros, quando o ideal são 3,20 metros. Por isso, a cidade enfrentou extenso período de racionamento de água. Em novembro, um dos períodos mais críticos, o fornecimento de água passou a ser de 24 por 72 horas, ou seja, um dia com água na torneira, três sem. A prefeita Suéllen Rosim (Patriota) chegou a decretar estado de emergência por conta das dificuldades no abastecimento, garantindo a prerrogativa como compras emergenciais sem licitação. Na época, o DAE usou o dispositivo para contratar caminhões-pipa e remediar a crise.