A Polícia Civil de Bauru, por meio da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), prendeu, por volta das 18h desta quarta-feira (23), a mãe e o padrasto do garoto de 3 anos, que foi socorrido por uma tia e uma bisavó, na última segunda-feira (21), com ferimentos na face e fratura no crânio. A Polícia Civil investigava, inicialmente, lesão corporal e maus-tratos, mas a natureza do crime mudou, com a instauração do inquérito, para tentativa de homicídio, após familiares serem ouvidos e a polícia ter acesso às imagens que mostram a extensão dos ferimentos no pequeno.
Horas antes de ser preso, nesta quarta (23), o casal foi atacado e quase linchado por populares em um imóvel no Núcleo Octávio Rasi.
Policiais militares foram acionados e encaminharam ambos para o Pronto-Socorro Central (PSC), onde eles permaneceram em observação até receberem alta e serem presos. O boletim de ocorrência (BO) sobre a lesão corporal sofrida não relata quais tipos de ferimentos eles tiveram.
Já o garoto seguia internado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB), nesta quarta-feira (23), com quadro de saúde estável.
Em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o nome dos envolvidos assim como da vítima serão preservados para não identificar a criança.
DEPOIMENTOS
Titular da DDM, a delegada Marcia Regina dos Santos explica ter solicitado, nesta quarta (23), a prisão temporária do padrasto, que tem 22 anos, e da mãe do garoto, de 27 anos, após colher depoimentos da tia e da bisavó que o socorreram e de outros familiares do casal.
"Médicos informaram para a família que a criança provavelmente perderá o globo ocular direito. O garoto ainda corre risco de morte em razão da extensão dos ferimentos. Entendo, portanto, que não se trata de uma lesão corporal, mas sim de uma tentativa de homicídio e com dolo eventual, que é o que apuraremos no curso do inquérito", aponta Marcia.
Na delegacia, a polícia tentou ouvir o padrasto, mas ele fez uso do direito de permanecer em silêncio, segundo a policial.
Até o fechamento desta edição, a oitiva da mãe não havia sido concluída.
As unidades prisionais para onde ambos foram levados não foram divulgadas como forma de evitar outras tentativas de linchamento.
ENTENDA O CASO
Conforme o JC noticiou, o garoto foi encontrado com ferimentos em sua casa, na Vila Nova Esperança, e foi levado por uma tia e a bisavó para a UPA Bela Vista, na última segunda (21). A equipe da unidade médica acionou a Polícia Militar e o Conselho Tutelar após notar que as lesões eram possivelmente decorrentes de agressões.
Durante o atendimento na UPA, o pequeno teria contado para uma assistente social ter sido agredido "pelos pais". Situação que fez com que policiais militares fossem até a casa da família, mas ninguém foi localizado na ocasião.
Após exames, a ruptura de um osso na região da cabeça foi constatada e a criança transferida para o HCFMB, onde segue internada na ala pediátrica.
Consta no boletim de ocorrência sobre o caso que a mãe do garoto seria conhecida pelo Conselho Tutelar por histórico envolvendo o uso de drogas.