São Paulo - Trancados em um hotel em Kiev, jogadores brasileiros que atuam em clubes ucranianos gravaram vídeo na madrugada desta quinta-feira (horário de Brasília). Eles pedem o apoio do governo Bolsonaro e afirmam que não podem deixar o país após o início da invasão russa.
"Devido à falta de combustível, fronteira fechada, espaço aéreo fechado, a gente não pode sair. A gente pede muito apoio ao governo do Brasil, que possa nos ajudar", afirma o zagueiro Marlon, do Shakhtar Donetsk, equipe que tem 12 atletas brasileiros.
No vídeo gravado e divulgado pelos atletas, a mulher de um deles, não identificada, diz não saberem se haverá comida.
O atacante Junior Moraes, da mesma equipe, naturalizado ucraniano e que atua pela seleção local, descreveu a situação como grave e que os atletas esperam uma solução para sair.
Até a véspera a orientação dada pelos clubes era para os estrangeiros evitarem se manifestar sobre a tensão com a Rússia. Os dirigentes afirmavam aos jogadores que a situação estava controlada e teria solução pacífica.
O Shakhtar se transferiu para Kiev em 2014, quando houve intervenção militar russa na região ucraniana da Crimeia.
São 31 brasileiros contratados por times da primeira divisão da Ucrânia. Até a semana passada, a maioria deles estava na Turquia, em pré-temporada antes do reinício do campeonato, que aconteceria nesta sexta-feira (25). Após a invasão, o torneio foi suspenso.
A Ucrânia é uma espécie de eldorado para os jogadores nacionais nos últimos 15 anos.
Os clubes são reconhecidos por pagar salários excelentes, muito maiores do que a média no Brasil, e em dia. Também podem servir como porta de entrada para ligas mais relevantes no continente. Foi o que aconteceu, por exemplo, com Fernandinho (Manchester City) e Fred (Manchester United).