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Para fortalecer assistência domiciliar, Saúde faz parceria com Medicina/USP

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Uma parceria firmada entre a Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB/USP) e a Secretaria Municipal de Saúde, que conta com a atuação de alunos do curso de Medicina, está ajudando a reforçar a assistência de saúde a pacientes idosos que estão em suas residências, em cuidados paliativos, na região do Jardim Bela Vista. O objetivo, além de permitir a vivência da profissão médica aos estudantes, é ampliar o suporte aos doentes, inclusive com prestação de informações e retaguarda psicológica aos familiares que lidam diariamente com eles.

O projeto foi iniciado há cerca de duas semanas na unidade básica de saúde (UBS) da Bela Vista e conta com a participação de aproximadamente 60 alunos do 5.º ano do curso de Medicina da FOB/USP, por meio de estágio curricular obrigatório. Segundo o professor do curso, o médico José Roberto Ortega Junior, a unidade foi escolhida porque conta com equipe multiprofissional de atenção domiciliar (Emad), que já realiza visitas a pacientes acamados.

Agora, com a parceria, em todas as quartas-feiras, no período da tarde, o médico responsável pela equipe de saúde - funcionário da prefeitura - será acompanhado por três a quatro alunos do curso de Medicina em cada atendimento, além do professor Ortega Junior. "Nosso foco serão os pacientes com doenças graves, avançadas, com uma perspectiva mais limitada de vida e uma necessidade maior de cuidados. É desafiador para as equipes, por conta da situação do paciente, da sobrecarga do cuidador, que normalmente é um parente, e do sofrimento da família", analisa.

Segundo o professor, a assistência a pessoas em cuidados paliativos é prestada em quatro âmbitos: físico, social e familiar, psicológico e espiritual. Em relação ao primeiro quesito, cabe aos profissionais de saúde, junto com os alunos estagiários, esclarecer ao paciente e à família sobre o diagnóstico e como a doença deverá evoluir ao longo do tempo.

REDE DE APOIO

A partir da transmissão de informações, o objetivo é fornecer um conhecimento mais aprofundado sobre o controle de sintomas e demais cuidados diários, como troca de curativos, para que o doente tenha a melhor qualidade de vida possível. "Nós também podemos sugerir algumas condutas para a equipe da Emad, cabendo ao médico da rede decidir o que é melhor para o paciente. Essa interação é muito positiva", avalia.

Já na abordagem social e familiar, o intuito é dialogar sobre as necessidades da família do doente, em especial dos cuidadores mais próximos, que são mais sobrecarregados e tendem, com mais frequência, a adoecer emocionalmente e ter perdas financeiras, de saúde e de qualidade de vida. "Por conta disso, muitas famílias acabam entrando em conflito e nosso trabalho vai no sentido de ajudar a ajustar essa dinâmica familiar", pontua Ortega Junior.

No terceiro âmbito, as equipes prestam apoio psicológico para que pacientes e parentes tenham oportunidade de lidar com seus medos, ansiedades e preocupações. Já no campo espiritual, que não se vincula com nenhuma religião específica, as famílias são convidadas a refletir sobre conceitos como valores e legado de vida.

"A ideia é reforçar mecanismos de enfrentamento que elas podem ter, dentro de sua religiosidade, para passar por este momento difícil", completa. De acordo com o professor, a intenção é de que o projeto seja permanente e até mesmo ampliado para outras unidades ao longo dos próximos anos.

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