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Covid longa atinge de 10% a 30% das pessoas infectadas e desafia a Ciência

Larissa Bastos e Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Para a maioria das pessoas, a contaminação pelo coronavírus resulta em um quadro leve da doença e uma recuperação relativamente rápida. Porém, em alguns casos, até nos menos graves, os pacientes podem apresentar sintomas durante um longo período após se recuperarem da infecção original.

A chamada Covid longa já acomete entre 10% e 30% dos infectados pelo coronavírus - o que em Bauru, corresponde a 8 mil a 24 mil pessoas - e tem intrigado cientistas ao redor do mundo, que, em meio a muitas incertezas, tentam desvendar as circunstâncias que causam a persistência dessas manifestações. Afinal, por que algumas pessoas desenvolvem estes sintomas duradouros e outras não?

Por que algumas têm este problema por alguns meses e outras por um período que pode ultrapassar um ano? São algumas perguntas que pesquisas já estão tentando começar a responder, com indícios sobre o que pode estar por trás dos efeitos prolongados e debilitantes provocados por esta condição (leia mais abaixo).

De acordo com o médico infectologista Taylor Endrigo Toscano Olivo, que atua em hospitais públicos e privados de Bauru, a duração do conjunto de sintomas decorrentes da Covid-19 chega a variar de quatro semanas até mais de um ano após a infecção. Nessas circunstâncias, as manifestações mais comuns são fadiga crônica e disfunções cognitivas (déficit de atenção e de memória), mas existem relatos de dores musculares e articulares, irritabilidade, queda de cabelo, problemas de tireoide e glicemia (diabetes), alterações intestinais, perda de olfato e paladar, dificuldade para respirar, disfunções renais e até dermatológicas.

DURAÇÃO

Ainda de acordo com o infectologista, até o momento, as pesquisas apontam que de 60% a 70% dos casos de Covid longa duram até três meses. Depois, podem continuar além de seis meses e, para uma minoria, de aproximadamente 5%, perduram mais de um ano.

"Ela pode acometer pessoas que tiveram quadros graves, o que é mais comum por conta do nível de inflamação que o sistema imunológico gera no corpo como defesa. Mas também pode afetar pacientes com quadros leves. Inclusive, com a recente alta de casos por conta da variante ômicron, aumentou bastante a quantidade de pessoas que podem manifestar este quadro. Mas a imunização é importante, já que a vacina reduz as chances de ter Covid longa", detalha Olivo (leia mais na página ao lado).

INVESTIGAÇÃO

Já o também médico infectologista Marcelo Pesce Gomes da Costa, que atua tanto na rede municipal quanto privada de saúde, entende que, para diagnosticar os casos de Covid longa, é necessário investigar a vida do paciente para ter certeza de que o sintoma foi mesmo resultado da infecção pelo vírus.

"A Covid-19 é uma doença relativamente nova, que tem um aspecto muito amplo e que ainda é bastante estudada. Então, para fechar o diagnóstico, é preciso investigar como era a vida do paciente, e assim é feito um tratamento específico para aquele sintoma. Se a pessoa tem uma fibrose pulmonar, entramos com corticoide. Mas existem casos, como quando há perda de olfato, que não tem com o que tratar. O paciente precisa esperar o corpo responder", esclarece.

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