Tribuna do Leitor

Cultura, Emprego, Renda, Turismo para o povo

LIESB - Liga das Escolas de Samba e Blocos de Bauru.
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A perseguição às manifestações das camadas populares não é novidade: ela vem de tempos imemoriais. Com o carnaval, não seria diferente. A festividade, realizada como último festejo antes do jejum quaresmal, vigora desde a o império mesopotâmico, antes de Cristo. Posteriormente, em terras americanas, advinda do reino europeu, veio sob a roupagem do Entrudo que, posteriormente, no século XIX, seria proibido por Dom Pedro II (em comunhão com a classe mais abastada) devido ao seu caráter popular. No início do século seguinte, a mesma elite carioca não privou-se de reproduzir o carnaval europeu, dando início aos bailes de clube que vigoram até hoje, inquestionáveis. Já a população mais humilde, como de costume, interpretou esse modelo, o sincretizando com outras influências vindas de diferentes culturas, culminando nos ranchos e cordões, manifestações que deram margem e foram contemporâneas aos blocos carnavalescos, embriões de nossas atuais escolas de samba.

O carnaval é, costumeiramente, bode expiatório para um sem número de argumentos imbuídos de preconceito e intolerância, principalmente, religiosa; e o advento da Covid-19 tornou-se a nova justificativa contra os festejos do momo que, não por acaso, representam ao longo de um país de extensão territorial continental, literalmente, o maior espetáculo a céu aberto da terra. Cultura é modo de vida. Cultura é Educação. Cultura é política. E Cultura é economia. Economia criativa que engloba o terceiro setor e gera bilhões em dividendos - sendo o carnaval, a manifestação popular que mais contribui para isto -, anualmente, por todo o país e para serem investidos em todas as demais áreas, igualmente.

"Segundo o levantamento da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), estima-se que, em 2020 (último ano de desfiles), 25,4 mil vagas temporárias foram abertas para ocupações entre janeiro e fevereiro. O evento movimenta setores ligados ao turismo, como alimentação (garçons, barmen, copeiros, cozinheiros e outros auxiliares de cozinha), transportes e hotelaria, atividades artísticas e de lazer, e agências de viagens - sem contar bordadeiras, fabricantes de fantasias, estamparias, serralheiros, soldadores, marceneiros, eletricistas, borracheiros, mecânicos, engenheiros e demais atividades relacionadas diretamente aos desfiles de escolas de samba e blocos, segundo o livro "Cadeia produtiva do Carnaval", organizado por Luiz Carlos Prestes Filho.

Além de verba pública, os eventos nas cidades também recebem dinheiro por meio de patrocínios e parcerias com a iniciativa privada - em Bauru, não há reajuste desde 2018, mesmo com inflação (pesquise) e, pasme, entre agremiações prestadoras de serviço e empresa licitante de infraestrutura, a menor parcela é a que fica com as primeiras. Boa parte do investimentos públicos se direciona para a infraestrutura da cidade, a segurança, a organização do sambódromo, o receptivo de turistas e a decoração.

A renda, a circulação e a oxigenação econômica exercida por essas atividades do setor terciário, em uma época de vacas magras para as populações mais carentes, geram receita para poder investir em Todos os setores. Segundo o último levantamento da mesma CNC, o evento, em 2020, teve um impacto de R$ 7,91 bilhões na economia nacional (em uma projeção pessimista). O evento também aumenta o fluxo de turistas estrangeiros. Segundo dados da ANAC, em 2018 (último dado disponível), cerca de 870 mil estrangeiros vieram ao Brasil em fevereiro, mês do Carnaval naquele ano. Esse número representa 13,1% de todos os desembarques internacionais em 2018.''

"(Em Bauru), quer você goste ou não, além de tradicional, é um dos maiores e melhores do interior e atrai milhares de turistas de outras cidades, estados e, inclusive, países (não se trata de achismo, há estudos que corroboram estas informações, portanto, isto é um fato e, não, uma opinião) que, graças ao retorno do evento, em 2010, reverteu o fluxo monetário: de lá para cá, o montante que saia da cidade para ser gasto em outras localidades passou a ficar e ser gasto no próprio município - acrescidos aos investimentos de quem vem de fora para isso. Essa arrecadação, somente em Bauru, retorna em torno de 4 a 5 vezes à mais do que o investimento feito pelo poder público para quem? Para o próprio poder público diversificar e ampliar investimentos em áreas como Educação, Saúde, Transporte de qualidade e afins, inclusive, para você, que fala mal do carnaval, pois, você também é cidadã(o)."

"Por fim, a questão sanitária e de saúde pública deveriam ser prioridades em quaisquer circunstâncias - aqui, não há negacionismo - afinal, o bem coletivo deveria sobrepor os interesses individuais. Porém, atualmente, todos os setores estão liberados (estádios de futebol, fórmula 1, praias, shoppings, bares, igrejas, escolas, ônibus, metrôs, Natal, Revéillon, shows com 12 mil pessoas sem máscara em Bauru, por exemplo), mas, na visão de uma parte da população sem propriedade comprovada do que fala e embasamento algum, a culpa, tendenciosa e diretamente, é ligada ao carnaval, sem que ele sequer tenha acontecido ("pau que bate em Chico, bate em Francisco"?)."

No final do ano passado, a Liga das escolas de samba e blocos de Bauru, em consonância com a Ciência, adiantou-se em tomar a atitude preventiva de cancelar seus trabalhos novamente, em virtude do advento da variante Ômicron, que surge como uma nova ameaça, mesmo já tendo trabalhos reiniciados para um possível desfile em 2022 - graças à emenda parlamentar proporcionada pelo deputado Rodrigo Agostinho, que daria novo fôlego e condições para oxigernarmos uma extensa cadeia de trabalhadores criativos que, agora, encontra-se, mais uma vez, vulnerável ante a um cenário de imprevisibilidade e desemprego. "(...) De modo infeliz, o carnaval, historicamente, é criminalizado e rechaçado frente a qualquer problema que o país enfrente. Esse discurso irresponsável e sem fundamento tem sido utilizado numa briga política e reproduzido por negacionistas e histéricos." (Liga de São Paulo).

Fontes: 1. Ministério do Turismo. 2. Veja. 3. G1. 4. Governo Federal. 5. Prefeitura de São Paulo. 6. Prefeitura do Rio de Janeiro. 7. CNC. 8. SPTuris. 9. SEDECON Bauru (Plano Diretor de Turismo). 10. www.aosfatos.org. Obras consultadas: 1. Cadeia produtiva do Carnaval — Luiz Carlos Prestes Filho. E-Papers, 2009.

 

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