Polícia

Casal denuncia homofobia à polícia após agressão em festa

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 3 min

Um casal registrou, neste domingo (27), boletim de ocorrência (BO) para denunciar que foi vítima de agressões e de homofobia por parte de um homem durante uma festa de Carnaval, em Bauru. A vítima relata que perdeu a visão de um dos olhos após os ataques e chegou a pensar que ficaria cega. O caso foi registrado pela Polícia Civil como lesão corporal e injúria, e será investigado.

O profissional de marketing Rubens Manoel Herrera Neto, de 25 anos, conta que estava na festa, no sábado (26), acompanhado do marido, Carlos Volpe, de 27 anos. Por volta das 23h, eles foram até um trailer de lanches para jantar.

"Quando chegamos, só tinha uma mesa com uma cadeira. Fui até a mesa ao lado, onde estava uma família, e educadamente pedi uma cadeira. Eles me deram. Só que, quando eu e meu marido nos sentamos, esse homem, que é integrante dessa família mas não estava sentado na mesa naquele momento, começou a nos ofender com palavras de baixo calão e homofóbicas. Tudo passou de xingamentos para agressões físicas muito rapidamente. Foi muito truculento", lembra.

Rubens narra que o homem começou a desferir socos, chutes e tapas que atingiram o rosto dele, mas que, mesmo assim, não reagiu ou revidou os golpes. "Ele estava muito alterado. O segurança e as pessoas tentaram conter ele, mas ele continuou nos ofendendo, incitando que saíssemos dali, como se a gente não fosse bem-vindo. Alguns ferimentos começaram a sangrar na hora e um dos chutes atingiu meu olho esquerdo. Minha visão ficou obstruída e tive um ataque de pânico, porque pensei que ficaria cego", relata.

Além disso, ele afirma que os familiares do agressor tentaram desencorajá-lo a procurar a polícia. "Disseram que ele só estava bêbado, que ele é pai de família, e não quiseram me falar o nome dele. Falei para eles que estavam sendo coniventes com um crime. A organização da festa que identificou ele para que eu pudesse registrar o boletim de ocorrência", conta Rubens.

FERIMENTOS

Após as agressões, a vítima passou por atendimento médico e, no momento, está usando um tampão no olho para se recuperar da lesão, além de outros ferimentos no rosto. Já no início da noite deste domingo (27), Rubens foi até a polícia para registrar boletim de ocorrência e posteriormente passar por exame de corpo de delito. O marido dele não ficou ferido.

"Tudo isso doeu muito. Mas o que mais me entristeceu foi chegar na minha casa machucado e ter que contar para a nossa filha, de apenas 11 anos, que fui agredido somente por eu ser quem sou, sem ter machucado ou ofendido ninguém", lamenta.

Por outro lado, o profissional de marketing diz que recebeu o apoio de ativistas do movimento e de mães de homossexuais que, para ele, serviram como força para denunciar o ocorrido. "Nunca pensei que isso aconteceria comigo. Mas, já que aconteceu, eu espero que ele seja punido pela lei, porque ele pode bater em outros. Quero que pessoas como ele saibam que serão punidas por esse crime. Eu quero justiça", conclui.

 

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