Com o fim do benefício que vinha sendo oferecido a famílias carentes por meio do cartão-alimentação criado no ano passado com parte do duodécimo da Câmara, a Prefeitura de Bauru passará a bancar o pagamento com recursos próprios. No entanto, menos da metade das famílias receberá o cartão a partir de então. Das cerca de 3.800 famílias beneficiadas até este mês, 1.780 passarão a contar com o auxílio a partir de abril. Porém, a Secretaria de Bem-Estar Social (Sebes) garante que além da avaliação criteriosa para definição das famílias, outros benefícios já disponibilizados pela rede de assistência social garantem a proteção das famílias, cuja pobreza impede que mantenham uma alimentação adequada.
Entre novembro do ano passado e este mês, cerca de 3.800 famílias receberam um cartão com saldo mensal de R$ 100, com o qual puderam adquirir alimentos. A forma de distribuição dos recursos e o valor foram definidos em conjunto entre prefeitura e Câmara, que devolveu parte dos recursos que recebeu durante o ano de 2021.
Em decisão tomada no ano passado, válida para este ano, a Sebes deixou de adquirir mensalmente 800 cestas básicas, que eram distribuídas para as famílias cadastradas nos nove Centros de Referência em Assistência Social (CRAS) da cidade, e destinou os recursos para continuar atendendo com a entrega de cartões.
Porém, em número bem menor de famílias, se comparado com o alcance das verbas disponibilizadas pela Câmara Municipal, que manteve o atendimento durante cinco meses. "A Sebes transformou a cesta em cartão-alimentação", afirmou a secretária Ana Cristina de Carvalho Sales Toledo.
BENEFÍCIO EVENTUAL
Ana Sales explica que, independentemente, de onde venha o recurso financeiro, tanto cesta básica como cartão-alimentação são benefícios eventuais, ou seja, oferecidos de forma temporária e de acordo com a avaliação dos assistentes sociais dos CRAS, que acompanham as famílias cadastradas.
Assim, mesmo as famílias que já receberam nos últimos cinco meses poderão continuar sendo atendidas, bem como novas famílias podem passar a receber o auxílio. "Dentro deste universo todo de quem já tem o cartão e tem recebido atendimentos nos CRAS, será definido o público prioritário para compor estas 1.780 famílias", afirmou a secretária.
Cada família vai passar a receber, mensalmente, o cartão com valor de R$ 130,00, maior que o benefício anterior, que era de R$ 100,00, e poderá ser beneficiada mais de uma vez, segundo a secretária, sem um limite de meses, dependendo da avaliação feita pelos assistentes sociais dos CRAS.
PRIORIDADE SÃO SERVIÇOS
Embora reconheça a importância do benefício eventual, que socorre as famílias em um momento específico de sua necessidade, Ana Sales destaca que o atendimento a famílias carentes é bem mais amplo, oferecendo uma gama de serviços, que atendem de forma geral toda a família necessitada, e não apenas com alimentos.
De acordo com ela, 15 mil pessoas recebem, diariamente, algum tipo de serviço entre os 111 tipos disponibilizados pela Sebes ou CRAS, em Bauru, com a destinação de R$ 65 milhões anuais para estes atendimentos. "O carro-chefe da assistência social é a oferta de serviços, então a gente sai da condição de entrega de benefícios para promover ações continuadas de acompanhamento das famílias. É um jeito novo de dar respaldo a estas famílias. Não é finalidade da Sebes apenas entregar cesta básica, temos que ofertar serviços", afirma Ana Sales.
Ela reforça ainda a diferença entre o benefício eventual e aquele que é prestado de forma continuada, e a importância de que as famílias procurem os CRAS para terem acesso aos dois, dependendo de cada caso.
"A gente precisa fazer o acompanhamento da família como um todo. A cesta é pouco perto de tudo", sintetiza.