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Professores aposentados fazem apelo por reajustes salariais

Marcel Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Entidades de classe formadas por professores aposentados e pensionistas de Bauru e região reivindicam reajuste salarial para a categoria. Os representantes das direções e subsedes regionais do Sindicato de Especialistas de Educação do Estado de São Paulo (Udemo), da Associação de Professores Aposentados do Magistério Público do Estado de São Paulo (Apampesp) e do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) apontam que a classe está há quase uma década sem reajustes e criticam os últimos anúncios realizados pelo governo estadual por não contemplarem os inativos.

Prestes a encerrar 2021, o Novo Plano de Carreira do Magistério, que atualmente tramita pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), prometeu até 73% de acréscimo salarial ao professorado, mas o documento trata apenas dos profissionais em atividade.

Outro fato que trouxe esperança aos aposentados ocorreu em 10 de fevereiro, quando o governo estadual anunciou 20% de acréscimo salarial a policiais e funcionários da Saúde, além de 10% para quase todo o funcionalismo. Este projeto, inclusive, foi enviado agora à Alesp (leia mais na página 16).

A Secretaria de Educação do Estado admite, contudo, que o aumento de 10%, neste momento, se restringirá aos servidores do quadro de apoio da Educação. Fazem parte deste grupo, sejam ativos ou inativos, só agentes de serviço, agentes de organização e secretários de escola.

NECESSIDADES

Diante da situação, representantes das entidades cobram mais atenção do governo estadual com os aposentados. Maria José Faustini e Maria Helena Catini, da Udemo, afirmam que a categoria aguarda por acréscimo salarial há quase uma década. Além disso, consideram que, após a reforma da Previdência, os aposentados passaram a ter descontos em folha, o que reduziu ainda mais o já defasado poder de compra.

"Estamos há oito anos sem nenhum reajuste. E o pior é o confisco. Passamos a ter um desconto previdenciário, que leva embora entre 10% e 16% dos nossos salários", aponta Maria José Faustini, presidente da Regional da Udemo.

"Ou seja, ao invés de reajustar, eles cortam, descontam. E, com a inflação nas alturas, o preço de tudo aumentou e temos visto aposentados passando várias necessidades. Recebi muitas reclamações nos últimos dias. Os professores estão unidos, tem gente querendo até sair de cadeira de rodas na rua para protestar", reforça Maria Helena Catini, que, além de membro da Udemo, é diretora aposentada. "Só uma ação governamental ajudaria a não ficarmos mais no esquecimento", desabafa.

A mesma observação é compartilhada por Therezinha Imanishi, diretora regional da Apampesp. "Os 10% que o governo cogitou são muito menos do que o que ele tem tirado. É preciso considerar que os aposentados são pessoas até acamadas. Muitos têm vivido com familiares por não terem mais condições de bancar as despesas", observa.

Aos 81 anos, ela fala com tristeza da situação da categoria e compara com a época em que ingressou no magistério. "Na década de 60, a gente era valorizado. O salário do professor, pelo menos, pagava as contas. Hoje, estamos jogados, abandonados, sem nem condições de comprar remédios", critica Imanishi.

DESÂNIMO

Coordenador da Subsede Bauru da Apeoesp, Marcos Chagas afirma que a falta de reajuste aos inativos tem desanimado a classe. "Os aposentados vivem uma condição cruel e de esquecimento. Com a reforma da Previdência, eles passaram a ter descontos previdenciários, ou seja, não têm reposição alguma há anos e ainda perdem o que ganham no momento da vida em que mais precisam. Isso desanima. Muitos professores observam como os aposentados são tratados e pensam em desistir", observa.

Chagas cita ainda que o acréscimo de 73% prometido ao professorado em atividade será pago com abonos e gratificações, o que não possibilitaria a incorporação aos que irão se aposentar.

Em nota, a Educação estadual frisa que "os docentes que se aposentaram com paridade receberão os reajustes concedidos à categoria".

Recentemente, a Apeoesp entrou com uma ação para que o governo estadual cumpra também o reajuste de 33,2% do piso nacional, anunciado neste ano pelo governo federal.

Sobre o aumento dos salários, o governo do Estado complementa que o reajuste foi enviado à Alesp e que já começou a valer a partir da data-base da categoria, ou seja, esta terça-feira (1).

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