A pandemia de Covid-19 completou dois anos no Brasil em 26 de fevereiro e atingirá esta marca em Bauru no próximo dia 30, data de registro do primeiro caso na cidade em 2020. Transcorridos estes 24 meses, a crise sanitária que virou o mundo do avesso, causando tristeza e incertezas sobre o futuro, parece dar os primeiros indícios de que começou a caminhar para o tão esperado fim.
Segundo Alexandre Naime Barbosa, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia e professor doutor em Infectologia da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu, tudo leva a crer que 2022 será o ano derradeiro da pandemia ao redor do globo. Há expectativa, ainda, de que a convivência com o novo coronavírus seja menos nefasta neste ano, mesmo não sendo garantido, com 100% de certeza, que novas variantes não irão provocar altas pontuais de infecção.
Segundo o especialista, embora não seja possível prever o impacto de eventuais mutações do Sars-Cov-2, a queda dos níveis de transmissão, o avanço da vacinação e o não surgimento de nenhuma nova variante de preocupação até o momento ajudam a corroborar a crença de que o número de casos, internações e óbitos continuará caindo ao longo dos próximos meses.
"Estamos vivendo o terço final da pandemia como um problema emergencial de saúde pública, saindo de uma fase de 'guerra' contra o vírus, em que tínhamos um número muito elevado de pessoas infectadas e de mortes. A partir da implementação da imunização em larga escala no Brasil - o que só se efetivou entre abril e maio de 2021 -, fomos, pouco a pouco, migrando para esta fase de coabitação com o vírus", explica Barbosa.
'ÚLTIMA ARMA'
Ele pontua que a nova onda trazida pela ômicron neste início de 2022 foi a 'última arma' do Sars-Cov-2, que provocou o maior pico de infecções de toda a pandemia e causou mortes principalmente entre pessoas que não haviam completado o esquema vacinal de três doses. "Agora, mesmo nesta fase de convivência com o vírus, alguns grupos continuarão mais vulneráveis, como pessoas imunossuprimidas e com extremos de idade. Mesmo vacinadas, elas seguem tendo mais chances de desenvolver quadros graves e de ir a óbito em comparação com os mais jovens", avalia.
O professor explica que o fim da pandemia, quando for decretado, não significará a erradicação do Sars-Cov-2, mas sim que o vírus deixou de ser uma emergência de saúde pública. No futuro, a tendência é de que a Covid-19 passe a ser endêmica, adquirindo um comportamento sazonal, causador de infecções leves, com registro pontual de pacientes graves, à semelhança do que ocorre hoje com outros vírus respiratórios.
"O vírus pode continuar circulando por cinco, dez anos ou mais. Quando chegarmos a menos de 100 óbitos diários pela doença no Brasil, o fim da pandemia pode vir a ser declarado, mas a Covid-19 continuará sendo monitorada. Haverá algumas fases subsequentes. Ela não se tornará endemia no curto ou médio prazos", esclarece, acrescentando que, possivelmente, a população precisará ser revacinada de forma periódica, como é feito para outras doenças, como a Influenza.