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Um 'santuário' de cactos em Bauru

Guilherme Tavares
| Tempo de leitura: 2 min

Desde quando tinha apenas 7 anos, João Luiz de Oliveira já cultivava plantas. Hoje, aos 55, orgulha-se de manter em sua chácara, no Vale do Igapó, em Bauru, mais de 6 mil exemplares e uma variedade de cerca de 240 espécies. Mas, são os cactos que ocupam a maior parte do coração e da propriedade do paisagista. O espaço, inclusive, virou uma espécie de "santuário" para as plantas e também um refúgio espiritual.

São, pelo menos, 140 espécies de cactos de diversas regiões: África, Ásia, América Central, América do Norte e, claro, do Brasil. "Muita gente passou a se interessar pelos cactos. Por serem mais fáceis de cuidar, eles são ideais para quem tem estilo de vida corrido e pouco espaço", define.

Alguns vasos são verdadeiras preciosidades (leia mais abaixo). A exemplo de um enorme Cereus cristata, com mais de cinco décadas de vida e uma formação considerada rara: a ponta cresce como um leque. "É uma mutação genética natural. Por isso, é bastante incomum", explica o cultivador.

CURRÍCULO

João Vale do Igapó, como ele é conhecido, é formado em paisagismo. No começo dos anos 1980, fez um curso com Roberto Burle Marx, paisagista renomado internacionalmente. O certificado alavancou a carreira. Ao longo da trajetória, teve orquidário, loja de aquários e fez muitos projetos importantes.

Mas, atualmente, a paixão extrapola a ideia de negócio. Ele comercializa as plantas ao mesmo tempo em que as coleciona e cultiva. Em meio às estufas, é possível encontrar vasos a partir de R$ 5,00 e tantos outros que facilmente passam dos R$ 2,5 mil. "Sempre respirei plantas, mas houve uma época em que isso tudo ficou meio de escanteio", revela, referindo-se ao período antes de ser acometido por uma grave enfermidade.

PONTO DE VIRADA

Cinco anos atrás, João ficou doente e encarou um duro tratamento, o qual o deixou bastante debilitado. "Cheguei a pesar 30 quilos, foi um período muito difícil. E creio que só consegui sair dessa porque fortaleci minha fé em Deus", revela.

Ele considera o episódio um ponto de virada na maneira de encarar a vida. "Eu inverti minha escala de valores. Antes, trabalhava pelo dinheiro. Era empresário, tinha loja, ganhava muito, gastava muito. Mas, hoje, considero que o mais importante é a saúde. Valorizo muito mais o lado espiritual e emocional, porque uma hora eu vou e tudo isso aqui fica".

Depois da experiência, João passou a se dedicar intensivamente ao "santuário". Reformou toda a chácara, montou as estufas e estudou a fundo as espécies, principalmente os cactos. "Eu vou das 6h às 20h cuidando de tudo aqui, é a minha terapia", afirma.

ONDE FICA

A chácara do João fica no Vale do Igapó. Entrando no bairro, seguir até o poste número 30, virar à direita e, depois, seguir até o poste 14. Contato: (14) 99822-9089.

 

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