São Paulo - Uma mulher foi estuprada, em média, a cada dez minutos no Brasil em 2021, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Foram cerca de 56,1 mil casos, incluindo estupros de vulnerável.
Os dados foram coletados por meio de um levantamento feito com as polícias civis de todas as unidades da Federação, ou seja, leva em conta apenas os casos que chegaram ao conhecimento das autoridades.
O ano de 2021 representa o início do aumento dos casos de estupro no País depois de uma diminuição ocorrida com o isolamento provocado pela pandemia de Covid-19.
Entre 2019 e 2020, houve queda de 12,1% nos registros de estupros de mulheres no Brasil, enquanto entre 2020 e 2021 ocorreu aumento de 3,7%.
O número total de vítimas do gênero feminino foi de cerca de 61,5 mil em 2019, para 54,1 mil em 2020 e 56,1 mil em 2021.
FÓRUM
O maior número de registros depois do final das medidas mais restritivas de isolamento, porém, não representa necessariamente aumento nos casos, mas uma grande subnotificação no número de denúncias realizadas durante a quarentena, afirma Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Bueno explica que a maioria dos casos de estupro e estupro de vulnerável acontece dentro de casa, sobretudo envolvendo adolescentes e crianças que, isolados, não contam com redes de confiança como na escola para denunciar as agressões.
A diretora-executiva pondera que pode haver um aumento em decorrência da flexibilização das medidas de isolamento em 2021 quando se fala de mulheres adultas, mas associa o aumento no número de casos principalmente à maior possibilidade de notificação.
Há ainda mulheres que optam por não denunciar, conta Bueno, devido à relação que nutrem com o agressor, o constrangimento por ter sido vítima, o medo de retaliação, ou mesmo a falta de confiança nos sistemas de Justiça.
A taxa média de estupros, incluindo de vulnerável, foi de 51,8 para cada 100 mil habitantes, e em 12 estados a taxa ficou acima da média nacional, com destaque para Roraima, Mato Grosso do Sul, Amapá e Rondônia, que tiveram taxas superiores a 100 para cada 100 mil habitantes.