Genebra - A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que está monitorando o surgimento de uma nova variante do coronavírus que combina características genéticas duas outras versões do vírus: a ômicron e a delta. A mistura das duas variantes tem sido chamada informalmente de deltacron.
A primeira evidência mais sólida de um vírus recombinante Delta e Ômicron foi compartilhada pelo Instituto Pasteur, da França. Eles fizeram o sequenciamento genético completo do vírus para o GISAID, um banco de dados internacional que centraliza as sequências genéticas de todas as variantes do coronavírus.
A diretora técnica da Organização Mundial da Saúde (OMS), Maria Van Kerkhove, disse que a entidade está ciente dessa nova variante, já identificada em três países europeus.
"Estamos cientes disso, é uma combinação das variantes delta e ômicron. Foi detectada na França, na Holanda e na Dinamarca. Isso era algo esperado dado que há uma intensa circulação dessas variantes", disse durante coletiva de imprensa da OMS.
Segundo ela, em países da Europa a variante delta continuava circulando de forma expressiva quando surgiu a variante Ômicron, o que pode explicar essa recombinação.
A epidemiologista ponderou que, até o momento, não foi identificada nenhuma severidade maior da infecção pela nova variante, mas que pesquisas e estudos ainda estão em andamento.
Três vezes mais mortes
A pandemia teria causado 18 milhões de mortes no mundo entre o começo de 2020 e o fim de 2021, mais de três vezes o balanço oficial, aponta um estudo publicado nesta sexta-feira na revista "The Lancet". A Bolívia é o país que apresenta o maior excesso de mortalidade nesse período, segundo os autores do texto, os quais ressaltam que, em geral, os países andinos sofreram particularmente com a pandemia.
Os especialistas reconhecem, no entanto, que o estudo precisa ser complementado com pesquisas adicionais. Os dados oficiais dão conta de 5,94 milhões de mortos no mundo entre 1º de janeiro de 2020 e 31 de dezembro de 2021.