Londres - A guerra na Ucrânia abriu um racha entre as potências ocidentais e os países emergentes no G20 - grupo das maiores economias do mundo - e já faz negociadores dos Estados-membros colocarem em dúvida a viabilidade da cúpula de líderes de novembro, na Indonésia.
Interlocutores de diferentes governos ressaltam que, caso o conflito se prolongue pelos próximos meses, será inviável que o presidente dos EUA, Joe Biden, e aliados europeus se disponham a viajar para a ilha de Bali caso o líder russo Vladimir Putin ou outras autoridades de Moscou estejam entre os convidados.
A última cúpula do G20 foi realizada no final do ano passado, em Roma, com a presença do brasileiro Jair Bolsonaro (PL). Putin não participou presencialmente, por evitar deslocamentos internacionais em meio a preocupações ligadas à disseminação do coronavírus. Ele enviou uma mensagem gravada.
RICOS
Alemanha, França, Itália, Reino Unido e Canadá, além da delegação que representa a União Europeia, endossam a proposta de que o G20 não pode seguir com sua agenda de trabalho e ignorar a crise no Leste Europeu, numa ofensiva diplomática que integra um esforço de governos ocidentais para promover, em diferentes organizações internacionais, a estratégia de isolamento total contra o presidente russo.
A ação dos países ricos, no entanto, rachou os membros do G20. Os emergentes, incluindo o Brasil, não embarcaram na proposta.
Diplomatas de China, Índia, Arábia Saudita e Turquia afirmaram que o G20 não é o fórum adequado para debates de questões geopolíticas e que a organização deveria permanecer centrada em assuntos da economia global - o Brasil se alinhou a esses países.