Tribuna do Leitor

Medicina e Espiritualidade

Olga Neme Daré - Pedagoga P.S.: Dr. Harold G. Koenig é um psiquiatra da Universidade Duke (E.U.A.). Suas ideias foram abordadas na Newsweek e em outros meios de comunicação com relação à religião, espiritualidade e saúde, foco de algumas de suas pes
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"A crença, a prática religiosa e a oração, são poderosos aliados da ciência médica. Medicina e Espiritualidade devem andar juntas".

Este é o resultado de estudos realizados pelo médico norte americano Dr. Harold Koenig e enfocados no Seminário Internacional de Medicina e Espiritualidade, no V Congresso Nacional da Associação Médico-Espírita do Brasil que teve, como tema a "Espiritualidade no cuidado com o paciente".

O Dr. Harold incluiu no tema, também, que o médico deve cuidar do paciente por inteiro, isto é, sob o aspecto holístico, pois, além do físico, deve levar em consideração o indivíduo como um ser social, psicológico e, principalmente, Espiritual. A crença em um ser superior, a prática religiosa e a fé, são elementos que elevam o bem-estar e a esperança dos pacientes.

Dos 114 estudos realizados, 91 concluíram que os religiosos são mais felizes e têm bem-estar mais elevado que os não crentes.

A oração faz o indivíduo afastar da mente a dor e focalizar o pensamento em Deus. Um dos casos mencionados foi o de uma senhora de 83 anos que sofria de diabetes e artrite. Apesar de conseguir andar com dificuldade e das fortes dores que sentia, não era uma pessoa triste, nem deprimida.

Indagada por seu médico, de onde vinha sua alegria, dizia que rezava muito e tinha esperança de que tudo pudesse melhorar. Independente, ela ainda tinha forças para levar aos outros doentes, o poder da oração.

Pesquisas mostram a diminuição de casos de depressão e suicídio em indivíduos que têm alguma prática religiosa. Ansiedade, medo e vícios também atingem menos as pessoas que acreditam em uma força superior. A recuperação dos doentes que sofrem desses males, também é mais rápida.

Reação do corpo - segundo o Dr. Koenig, o corpo físico tem dentro de si o poder da cura. As crenças religiosas e as emoções influenciam em sua fisiologia. Por meio de fatores sociais, psicológicos e comportamentais, tenta-se entender a influência da religião na saúde física. O sistema imunológico de alguma forma é influenciado pela prática religiosa.

Foi comprovada, por meio de estudos americanos, que a alimentação adequada, somada a exercícios físicos e à prática religiosa, levam à diminuição da mortalidade por câncer devido à presença de um volume maior de células que atacam as cancerosas. Por baixar a pressão sanguínea, casos de hipertensão, também, são menores. As infecções diminuem e o poder de cicatrização é maior.

Como abordar o paciente?

O Dr. Koenig enfatiza que o profissional de saúde deve ter uma sensibilidade muito grande para tocar nesse assunto. Algumas recomendações são: apoiar a crença espiritual do paciente, sem discutir com ele; descobrir seu histórico espiritual; é importante não prescrever a religião a pessoas ateias, nem dar conselhos espirituais.

Histórico: até 1970, a Igreja e o atendimento médico sempre estiveram interligados. Até porque, a Igreja foi a pioneira na construção dos hospitais. As enfermeiras (freiras) não podiam se casar e moravam próximas às instituições onde trabalhavam. Com o desenvolvimento científico e tecnológico, a religião e a medicina tornaram-se independentes, uma da outra. Os profissionais da saúde começaram a ver a espiritualidade como algo distante. O pensamento de Sigmund Freud contribuiu para esta separação. A crença era vista por ele como uma perturbação emocional, irracional e neurótica, não saudável.

Entretanto, nos últimos anos, a comunidade científica tem demonstrado interesse em entender como a espiritualidade pode auxiliar os médicos e obter melhores resultados na profissão. Desde o ano de 2000, cerca de três mil artigos sobre religião e saúde mental foram publicados, envolvendo a religiosidade na educação médica. O Dr. Koenig partiu para a sistematização das pesquisas, depois de questionar pacientes sobre o que os ajudava a suportar a doença e ouvir as respostas do tipo: "Doutor, é a minha oração".

Ainda hoje, em Porto Velho, capital do Estado de Rondônia, existe a prática de Medicina e Espiritualidade, no hospital Santa Marcelina, fundado em 1975, por Irmãs Marcelinas que assumiram a administração de uma Colônia de pessoas com Hanseníase, sendo a principal referência, além de atendimento a outras doenças de média complexidade para a população da Colônia e de toda a região norte. As Irmãs Marcelinas visitam todos os leitos, distribuindo carinho e atendimento espiritual.

Valho-me deste ensejo, colaborando com o tema em tela, para lembrar do fato ocorrido com meu marido, há muitos anos, quando ele precisou de uma cirurgia com um médico de Bauru que, até então, não conhecíamos. Dia e hora marcados, lá foi ele e nós, aqui fora, apreensivos. Felizmente, tudo correu bem, a cirurgia foi bem sucedida. Voltando para casa, o marido contou, surpreendido, como nós todos, que o médico, durante todo o procedimento, cantava hinos de louvor a Deus. Que lindo!

Numa expressão do médico Dr. André Luiz: "Ah! Se os médicos orassem!"

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