Neste domingo (13), os apaixonados pelo skate puderam finalmente matar a saudade de reunir a galera em um grande evento. Durante todo o dia, a pista Bauru Skate Park (BSP), na quadra 37 da rua Araújo Leite, na Vila Universitária, recebeu o campeonato BSP Contest. Foram quase 200 inscritos de todo o Estado, divididos em 11 categorias. Mais do que reencontrar amigos, o evento também mostrou que o esporte, agora modalidade olímpica, tem se tornado cada vez mais popular, reconhecido e diverso, representado hoje por meninos, meninas, jovens e adultos, dos 4 aos 50 anos de idade. O vereador Junior Rodrigues (PSD) apoiou o evento.
Presente do último dia das crianças, o skate rapidamente virou o brinquedo favorito de Lara Esteves, 8 anos. “Eu vi minha prima andando e pedi para meus pais”, conta a menina, que competiu na bateria da categoria Mirim. “No começo, quando ela quis andar de skate, nós assustamos. Mas depois acostumamos. Hoje é o que mais diverte ela”, revela a mãe, Paula Esteves, 42 anos.
Incentivada pelos pais, a menina começou a frequentar a BSP aos finais de semana. Depois, vieram as aulas em uma escola voltada à modalidade. Hoje a menina pratica as manobras três vezes por semana. “É mais seguro, ela aprende a andar e a não se machucar”, conta o pai, Rogerio Esteves, 48 anos.
EFEITO OLIMPÍADAS
A estudante Laís Calobrizi, 17 anos, saiu de Igaraçu do Tietê (75 quilômetros de Bauru) para competir na bateria Feminina. O skate virou paixão há quatro anos influenciada por primos, amigos e também por Letícia Bufoni, skatista profissional que representou o Brasil nas Olimpíadas de Tóquio, em 2021. “Eu via a Letícia andando na televisão e pensava: cara, quero andar. Comecei e me apaixonei, nunca mais quis parar”, conta a jovem.
No começo, aos 13 anos, enfrentou resistência da família. Depois do primeiro acidente, no qual machucou o rosto, os pais chegaram a esconder o skate, na tentativa de fazer ela desistir. Não funcionou: depois de três dias, lá estava ela praticando as manobras de novo. “Agora está muito mais de boa com esse lance da Olimpíada, está bem melhor porque as pessoas reconhecem mais. E tinha esse preconceito. Querendo ou não, é uma área que tem mais homem, a mulher se sente um pouco pressionada. Mas é uma coisa que você tem que fazer por amor”, afirma a estudante.
OLD SCHOOL
Aos 48 anos, Sereno Sachs é um dos representantes da “galera das antigas”, como ele mesmo define. O empresário e técnico em farmácia mantém um estilo conhecido como ‘old school’ (moda antiga, em tradução livre), conservando as raízes da modalidade, que para ele é mais do que um esporte. “Skate também é cultura, arte, é um estilo de vida. Como ele virou esporte olímpico, ficou mais profissional. A galera treina mais, é bonito, mas também é importante manter a essência do skate verdadeiro, que é diversão em primeiro lugar, juntando arte, movimento, música. Tem que ter as duas coisas”, define.
As primeiras manobras foram ainda em meados dos anos 1980, aprendendo com os primeiros skatistas de Bauru pelas ruas e praças da cidade. “Tinha um pessoal mais velho que andava, da primeira geração, eu sou da segunda. Andei a vida inteira. E não tinha toda essa informação que tem hoje. Quando a gente conseguia um vídeo de skate, passava de mão em mão e todo mundo assistia. Música também, a gente copiava fita K7, emprestava um para o outro. E assim foi fomentando o movimento na cidade e vendo o skate evoluir”, explica.
SAUDADES
Ao longo de todo o dia, o BSP Contest reuniu centenas de pessoas na pista da Vila Universitária e promoveu premiações em dinheiro e materiais esportivos. Organizado pelos skatistas Tiago Negretty, Willian Secco, Felipe Biondo e Everton Valderramas, o evento contou com apoio das secretarias de Esporte (Semel), Obras, Departamento de Água e Esgoto (DAE), Emdurb e empresas parceiras.
Entre os competidores estavam atletas de diversas regiões do Estado, como Campinas, Ribeirão Preto, Presidente Prudente, além das cidades da região. “Deu saudade. O último evento assim na cidade foi antes da pandemia. Foi bom demais, excelente, fazia tempo que a gente não se reunia. O mais legal é reencontrar os amigos”, comemora Tiago Negretty.
“O campeonato de skate a gente não faz só pela competição. É muito mais pela confraternização. O que mais atrai é a possibilidade de encontrar a rapaziada, então a competição é só diversão”, explica Felipe Biondo.