Economia & Negócios

Já alto, custo de vida vai ficar ainda mais caro com o aumento do trigo

Tisa Moraes e Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

O consumidor, que já está se desdobrando como pode para garantir comida na mesa e manter as contas em dia frente aos preços elevados dos alimentos e produtos como combustíveis, gás de cozinha e energia elétrica, ainda terá de lidar com mais uma alta, prevista para ocorrer nas próximas semanas. Em decorrência da guerra entre Rússia e Ucrânia, a previsão é de que o custo do trigo e seus derivados, como pães, cerveja, macarrão, biscoitos, massas, bolos e outros gêneros alimentícios muito consumidos pelas famílias brasileiras, sofra alta de 20% nas prateleiras.

Isso ocorrerá porque os países em conflito são responsáveis por 30% das exportações mundiais desta commodity e o Brasil, embora não seja um comprador direto destas nações, será impactado pela elevação do custo internacional do produto. Vale lembrar que a produção nacional equivale a menos da metade do trigo que os brasileiros consomem e o País precisará continuar comprando no mercado que deixou de ser abastecido pelos russos e ucranianos, já que eles registram queda em suas produções e dificuldades logísticas para escoamento dos grãos.

Segundo o economista Reinaldo Cafeo, o problema se soma à queda de safra de alguns alimentos, entre eles o trigo. "A estiagem registrada no Sul do País prejudicou muito as lavouras. Da mesma forma, os produtores estão reclamando da colheita da soja, que é um elemento importante, usado na industrialização de vários produtos", frisa.

Assim como a soja, o trigo está presente em inúmeros alimentos consumidos diariamente pelos brasileiros e, por este motivo, a expectativa é de que o impacto de preços seja bastante sentido pelas famílias, especialmente as que possuem menor renda. "E esta alta dos derivados do trigo poderá persistir mesmo após o fim do conflito, considerando a destruição da Ucrânia e uma possível postergação das sanções econômicas à Rússia. Dependeremos, então, da volta destes dois países para o mercado", acrescenta o economista.

FATOR CHINA

De acordo com ele, uma possibilidade que pode levar à queda de preços de commodities vem da China, que é um grande importador no mundo todo, mas decretou lockdown em algumas regiões por conta de novo surto de Covid-19, o que deve reduzir o consumo interno e, por consequência, o volume de produtos comprados de outros países. "Além disso, se a China se aproximar muito da Rússia, manifestando apoio, poderá sofrer sanções também. E, com uma gigante como ela exportando menos commodities no mundo todo, os preços podem cair em toda a cadeia", frisa.

COMBUSTÍVEIS

Por outro lado, os custos elevados dos combustíveis seguem pressionando os preços dos alimentos de uma forma geral, devido ao valor do frete, além de serviços que envolvem transporte de passageiros. "Para as famílias de menor renda, que mal estão conseguindo consumir carne, também há um peso enorme em relação ao gás de cozinha. Por todo este cenário, a inflação nesta magnitude (em 10,54% no acumulado de 12 meses) poderá ultrapassar o mês de abril", avalia. Ao final de 2022, o índice está sendo projetado em 7%, estourando mais uma vez o teto da meta estipulada pelo governo, que é de 3,5%, com tolerância máxima de 5%.

Para se ter ideia, nos últimos 12 meses, até fevereiro, o custo da cesta básica aumentou 8,45% na Capital Paulista, variação que também foi acompanhada por municípios do Interior do Estado. Segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a alta foi de R$ 1.014,63 para R$ 1.100,35 na cidade de São Paulo. Em Bauru, conforme cálculos feitos por Reinaldo Cafeo, houve majoração de aproximadamente R$ 810,00 para R$ 880,00.

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