Retornando para casa, após a aula de Pilates, observei numa esquina um homem magérrimo, cadavérico, sentado à beira da calçada, procurando dentro dos sacos de lixo de uma residência algo que seria útil para ele e que levaria para casa, para separar e vender como reciclável, ou até aproveitar algo que fosse de bom uso próprio... Fiquei pensando àquela altura o que leva um ser humano a viver do lixo que outros já descartaram, jogaram fora, muitas vezes fazendo a reciclagem correta outras não... O que leva o homem, ser humano, a viver da sobra de outros, muitas vezes se contaminando com a sujeira existente dentro dos sacos de lixo?
A Lei Nº 12 305/2010, em vigor no Plano Nacional de Resíduos Sólidos, é uma forma de incentivar a reciclagem de todo tipo de lixo. O de casa, das ruas, da indústria e do comércio.
Mas oito em cada dez municípios brasileiros ainda não tem programa de coleta seletiva e os que têm poderiam reciclar muito mais do que fazem hoje. Os brasileiros jogam fora 76 milhões de toneladas de lixo - 30% poderiam ser reaproveitados, mas só 3% vão para a reciclagem.
Todos os dias, vemos famílias inteiras, o pai puxando o carrinho de mão e os filhos que, normalmente, não são poucos, 4, 5, para ajudar na coleta ... junto a ele, a mulher com um nenê de colo, com 2, 3 cachorros, que os acompanham seja qual for a situação...... Que situação mais triste.
As crianças deveriam estar na escola, ou numa creche, onde receberiam orientação, alimentação, no mínimo estariam se socializando junto às demais crianças e se preparando para terem um futuro melhor do que seus pais, pois só com a Educação sairão desta zona de pobreza....
Nós, enquanto sociedade, temos que nos conscientizar da necessidade de voltarmos nossos olhares para cenas descritas, procurando estender nossas mãos e requerer que políticas públicas sejam direcionadas a estes. "Jesus, chamando uma criança, a pôs no meio deles e disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus". Oremos...
O autor é professor, colabora com Opinião.