Política

Centrinho: Rodrigo acompanha caso, mas diz que tendência é quase geral

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 4 min

Diante das incertezas geradas pela mudança na gestão do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais HRAC (Centrinho), devido à desvinculação da unidade da Universidade de São Paulo (USP), prevista para ocorrer com a contratação da Organização Social que vai gerenciar o Hospital das Clínicas, o deputado federal Rodrigo Agostinho (PSB) disse que acompanha o processo conversando diretamente com o secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn. No entanto, pontuou que a mudança pela qual passa o Centrinho tem ocorrido em várias universidades, como consequência do aumento dos custos de manutenção e redução da arrecadação. O deputado aguardava até ontem o agendamento de uma reunião com o reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Jr., para tratar do assunto.

Um exemplo da mudança citado pelo deputado é o Hospital das Clínicas de Botucatu, que fazia parte da estrutura da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e foi transformado em autarquia. "Isso está acontecendo com estruturas de outras universidades, elas mantêm a pesquisa naquele espaço, mas o atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) passa para outra estrutura, para ser executado via direta, com a Secretaria de Saúde do Estado pagando a conta, ou indireta, com a contratação de uma OS ou a transformação em autarquia", pontuou.

O deputado comentou que obteve do Estado a garantia de que o Centrinho continuará um espaço de pesquisa. Mas, por outro lado, obteve a confirmação da redução no número de atendimentos via SUS. Segundo o Estado, devido à dificuldade de reposição de quadro de funcionários, seja por que os profissionais formados em Bauru hoje atuam em outros hospitais pelo Brasil, ou apenas por questões financeiras.

MELHOR OU PIOR

A direção da USP, de acordo com ele, tem garantido que nenhuma decisão vai ser tomada sem a aprovação do Conselho Universitário. "Mas, obviamente, que a gente tem um carinho muito grande pelo Centrinho e estamos preocupados", afirmou.

Uma das preocupações expressadas por Agostinho é a possibilidade de transferência para outras unidades de funcionários da USP que não queiram continuar trabalhando no Centrinho, após a contratação da OS. "A gente entende a apreensão dos funcionários, porque mudanças podem ser para melhor ou pior". O deputado federal tenta viabilizar a presença do secretário Gorinchteyn em Bauru, para que dê mais garantias as pessoas afetadas pela mudança.

Segundo ele, as organizações credenciadas a participar do chamamento público para assumir a gestão do HC já fizeram as visitas técnicas ao Centrinho. "Vamos continuar acompanhando, conversando tanto com o Estado como com a USP. Então, vai ter o Hospital das Clínicas, mas tem que ter o Centrinho, não estamos trocando uma coisa pela outra", afirmou.

REITERADO

A reportagem tentou uma entrevista com o superintendente do Centrinho, Carlos Ferreira dos Santos, porém, sua assessoria informou que não há fatos novos para serem apresentados, além da contextualização já feita. Em nota, afirmou que mantém o mesmo posicionamento consolidado pelo Conselho Universitário, em 2014, quando foi aprovada a vinculação do Centrinho à Secretaria de Estado da Saúde, e, em 2017, quando houve a criação do Curso de Medicina de Bauru, além do Acordo de Cooperação Técnica entre a USP e a Secretaria de Estado, em 2021, para a implantação e Hospital das Clínicas de Bauru (HCB). "Reiteramos que este projeto institucional que está sendo implementado atualmente segue estritamente o que determinam os documentos e acordos oficiais, e visa a preservar e fortalecer as atividades atuais e excelência do HRAC-USP, manter o vínculo empregatício e folha de pagamento dos servidores USP e propiciar um novo cenário para a formação e especialização dos estudantes dos cursos de graduação e pós-graduação do campus Bauru. Em face de especulações e inverdades ventiladas recentemente, esclarecemos ainda que o HRAC-USP cumpre todas as exigências do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e de todos os órgãos fiscalizadores. E, cumprindo as exigências legais, apresenta seu balanço financeiro de forma unificada", diz a nota.

Por meio de sua assessoria, a prefeita Suéllen Rosim disse que se reuniu nesta quinta-feira (17) com Carlos Ferreira dos Santos para tomar conhecimento do processo de mudança, mas que não se posicionaria a favor de uma coisa ou de outra por se tratar de uma situação que envolve Estado e USP.

REUNIÃO HOJE

Representantes dos funcionários fazem hoje (18) uma reunião com a participação de todos os servidores do HRAC, a partir das 11h30, no saguão de entrada da Unidade II. Para a manifestação foi convidado Carlos Ferreira dos Santos, que deve receber o pedido de reversão do processo de desvinculação do HRAC a ser encaminhado para o reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Jr.

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