Bauru está entre as 50 cidades do País com mais condições para o desenvolvimento do ecossistema empreendedor. É o que aponta o Ranking 2022 do Índice Cidades Empreendedoras (ICE), desenvolvido em parceria pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap) e a Endeavor, uma rede que apoia empreendedores com potencial de impacto econômico e social no Brasil e no mundo.
Divulgada nos últimos dias, a pesquisa analisou os 101 municípios mais populosos do Brasil e enquadrou Bauru na 49.ª posição, com pontuação geral de 6,02, à frente de cidades como Diadema (50.ª colocada), Uberaba (52.ª), São José do Rio Preto (54.ª), Brasília (69.ª), Franca (70.ª), Guarulhos (92.ª) e São Vicente (94.ª).
No topo do ranking do ICE 2022, está São Paulo (1.ª), seguida por Florianópolis (2.ª) e Curitiba (3.º). Aparecem em posições superiores a Bauru também localidades como São José dos Campos (7.ª), Londrina (17.ª), Ribeirão Preto (22.ª), Santos (26.ª) e Piracicaba (46.ª). O índice, segundo especialistas, é considerado um balizador para políticas públicas na área.
DISTÂNCIA PEQUENA
Coordenador-geral de Pesquisa da Enap, Cláudio Shikida explica que a distância da classificação de Bauru (49.ª) tanto para a 50.ª colocada quanto para a 20.ª é pequena. "A distribuição entre os municípios é apertada, temos mudança de um ou dois decimais. Olhar a partir dessa perspectiva é importante, porque o índice não varia tanto na pesquisa. É ruim não estar entre os 10 primeiros, mas temos que observar que Bauru está entre as 50 e com um índice próximo da 20.ª colocada, que é de 6,64".
PILARES
Sete pilares relacionados ao tema são utilizados na composição do ranking geral do estudo: capital humano, acesso ao capital, mercado, infraestrutura, inovação, cultura empreendedora e ambiente regulatório (veja o quadro ao lado).
Essas áreas formam subgrupos de classificação com pontuação própria. No capital humano, que considera acesso e qualidade da mão de obra básica e qualificada para os empreendimentos, Bauru figura em 18.ª.
"O índice está igual ao de 2020 nesse quesito. Não piorou, mas também não avançou. Acredito que a educação básica é um ponto sempre a ser melhorado, especialmente do ponto de vista das novas formas de gestão. Investir em educação respinga em empreendedorismo e em outras dimensões da vida", observa Shikida.
Na esfera de acesso ao capital (dinheiro), Bauru ocupa a 29.ª posição. Já na área de mercado, que considera clientes em potencial e desenvolvimento econômico, a cidade está na 36.ª colocação. "O mercado é uma variável que o gestor não controla. O PIB depende do mercado, não do governo", comenta o especialista da Enap.
Na área de infraestrutura, que leva em conta o transporte público e as condições urbanas, Bauru ocupa a 38.ª posição.
Já em inovação, Bauru é a 50.ª no ranking. "A cidade era a 35.ª colocada em 2020, ou seja, piorou em inovação. É algo que vale a pena o gestor tentar estimular, talvez não só com políticas locais. É preciso tentar criar um ambiente propício para a inovação, não só jogar dinheiro em pessoas com promessas vazias. É necessário um ambiente propício para que a garagem possa gerar inovação", metaforiza Shikida.
Em cultura empreendedora, que analisa a imagem do empreendedorismo no município, a cidade ocupa a 52.ª posição.
O pior resultado foi em ambiente regulatório (72.ª colocação), que considera o tempo para realização dos processos, a tributação e a complexidade burocrática que envolve o desenvolvimento das empresas. "Está aí um ponto que o gestor local pode melhorar", finaliza.