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Para reitor da USP, é inviável manter Centrinho vinculado à universidade

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

O reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior, informou que não irá interferir no processo de transferência de gestão do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), o Centrinho, para a Secretaria de Estado da Saúde. A reivindicação pela permanência da unidade hospitalar vinculada à universidade ganhou força nos últimos meses entre funcionários, pacientes, ex-pacientes e demais apoiadores deste movimento, que temem o risco de precarização das condições de trabalho e de perda da qualidade do atendimento prestado à comunidade, bem como prejuízos nos campos acadêmico e de pesquisa.

Em visita a Bauru nesta sexta-feira (25), motivada pela posse da nova diretora da Faculdade de Odontologia (FOB/USP), Marília Afonso Rabelo Buzalaf, e do vice-diretor, Carlos Ferreira dos Santos, o reitor informou que sua função é manter o plano que já está sendo desenvolvido e que irá culminar com a contratação, pelo Estado, de uma Organização Social de Saúde (OSS) para gerir tanto o Centrinho quanto o futuro Hospital das Clínicas (HC). A previsão, conforme o JC apurou, é de que o nome da entidade seja conhecido até o fim de maio.

"Se formos discutir novamente esse assunto, podemos colocar em risco várias outras atividades que estão ocorrendo aqui no câmpus de Bauru. Se o Conselho Universitário quiser fazer esta discussão, iremos fazer, mas esta iniciativa não partirá da Reitoria", frisa.

Carlotti Junior ressalta que a desvinculação entre o Centrinho e a USP faz parte de um projeto maior, aprovado pelo Conselho Universitário (CO), que envolve a criação da Faculdade de Medicina - o que precisa ocorrer até o próximo ano, para a diplomação da primeira turma de médicos da USP de Bauru - e a abertura definitiva do HC. Assim, se o processo de transferência de gestão fosse interrompido, também seriam suspensos os trâmites para implantação do novo hospital, bem como da Faculdade.

AUTARQUIZAÇÃO

Com a desvinculação, a expectativa é de que o Centrinho passe a ser uma clínica ou departamento do HC, o que ainda não foi definido, segundo o reitor. "Se for se tornar uma clínica de fissuras labiopalatinas, certamente será a mais importante do hospital. Essa excelência precisa ser mantida pela universidade", comenta, ressaltando que exemplos de gestão de serviços da USP por OSS, como é o caso do Centro de Oncologia em São Paulo, demonstram que o modelo pode ser bem-sucedido.

Ainda de acordo com ele, nada impede que, no futuro, o Centrinho se transforme em uma autarquia do Estado, uma decisão que teria de partir do Executivo paulista, assim como já ocorreu com os HCs da USP em São Paulo e Ribeirão Preto. "Eu acho um bom modelo. Há um modelo de OSSs, que é mais recente, dá mais agilidade, mas gosto muito do modelo de autarquia, que dá mais perenidade no sistema", completa.

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