O número de empresas cadastradas como grandes geradoras de resíduos em Bauru aumentou nos últimos quatro meses. Em novembro do ano passado eram 255 registros, hoje são 340. O crescimento deve-se a um trabalho de busca ativa feito pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma). A pasta passou a notificar bares, restaurantes, indústrias e até instituições de ensino para cumprirem a legislação que responsabiliza esses estabelecimentos a gerenciarem os próprios resíduos. Quem se enquadra no perfil não pode mais utilizar o serviço convencional de recolha municipal. Diante desse cenário, diversos segmentos têm procurado empresas especializadas na coleta, processamento e destinação desses materiais.
Em vigor desde 2018, a Lei Municipal N°. 7.124 torna integralmente responsáveis pelo gerenciamento ambiental dos próprios resíduos qualquer empresa, órgão ou instituição que produza, em média, mais de 200 litros diários de resíduos. O texto prevê ainda como penalidades advertência, multas de até R$ 20 mil e, nos casos mais graves, embargo e suspensão da atividade.
"Com a aplicação da lei, no ano passado, nós deixamos de enviar 5,6 mil toneladas para o aterro sanitário. É uma ação importante porque reduz o impacto ambiental", afirma o diretor do Departamento de Ações e Recursos Ambientais da Semma, Sidnei Rodrigues. O montante representou uma economia de R$ 1,6 milhão em 2021 aos cofres municipais.
DE OLHO NO CENÁRIO
"Embasado nas legislações federal, estadual e municipal, hoje os maiores responsáveis pelos resíduos são os próprios geradores e não o poder público. São empresas que têm responsabilidade social e ambiental de criar políticas de reinserir esses resíduos na cadeira produtiva", explica Rinaldo Duarte. Ele e o sócio Stéfano Daré Tocunduva gerenciam a DND Ambiental, empresa que atua como facilitadora entre indústrias, distribuidores, comércio e supermercados na adoção do ESG, sigla em inglês que define um conjunto de práticas ambientais, sociais e de governança que passa a considerar a sustentabilidade como parte estratégica das empresas. Hoje, eles gerenciam 306 toneladas mensais, entre produtos alimentícios, cosméticos, farmacêuticos e eletrônicos.
O objetivo, conta Rinaldo, é enviar o mínimo de material possível para o aterro sanitário. Após a coleta, o serviço prevê separar a matéria orgânica da reciclável. A primeira é destinada para usinas de produção de bioálcool, transformando-se em matéria-prima para fármacos e cosméticos. Já o segundo é destinado para indústrias de reciclagem, retornando para a cadeia circular.
Como exemplo, ele cita indústrias e distribuidores que precisam dar destinação correta para lotes de produtos vencidos ou que não passaram pelo controle de qualidade. "O diferencial do nosso trabalho é a garantia de que o produto do cliente não será reinserido no mercado. Ou seja, nós vamos separar, triturar os recicláveis, descaracterizar a marca e destinar os resíduos orgânicos. Ao final desse processo, entregamos um laudo fotográfico com o carregamento, pesagem e processamento, anexamos todas as licenças ambientais e o destino do material. Tudo é rastreado, é possível monitorar, em tempo real, até mesmo o que acontece dentro do caminhão", relata.