Tribuna do Leitor

Partido Comunista do Brasil completou em 25 de março seus 100 anos!

Majo Jandreice - em nome do Comitê Municipal de Bauru
| Tempo de leitura: 4 min

"Cem anos de amor e coragem pelo Brasil"

Na última sexta feira, a cidade de Niterói-RJ, palco da criação do partido, abriu o Festival Vermelho, principal atividade em comemoração ao centenário do PCdoB, com slogan escolhido para representar a data. A presidenta nacional do partido, Luciana Santos, afirmou: "O slogan sintetiza bem esse primeiro século de vida e de luta do nosso partido e tudo que o partido comunista tem feito desde a sua fundação. É o jeito de pensar o Brasil estrategicamente, tendo o socialismo como perspectiva no horizonte maior, mas se debruçando sobre as particularidades de cada momento. Colocando os interesses da nossa gente em primeiro lugar".

As atividades têm como objetivo envolver militância e simpatizantes neste momento ímpar da história dos comunistas brasileiros e fortalecer a aliança popular e de esquerda para derrotar Bolsonaro e a extrema-direita e reconstruir o país. Inspirado em outras grandes festas da esquerda internacional, como a Festa do Avante (Portugal), a Fête de L'Humanité (França) e a Fiesta de Los Abrazos (Chile), o Festival Vermelho é uma grande celebração das ideias progressistas, uma comemoração à resistência e à alegria daquelas e daqueles que lutam por um mundo mais justo, igualitário, com diversidade e sustentabilidade.

Reunindo diversas gerações da militância e também o público em geral, o festival é um convite a pensar novos futuros para o Brasil e o planeta, em um momento de grandes desafios e contradições do sistema político, econômico e social vigente. Um encontro de muitas cores e muitos sonhos, para fazer florescer as nossas muitas esperanças.

No dia 25 de março de 1922, nove pessoas se reuniram, de forma clandestina, em uma casa na rua Visconde do Rio Branco, na cidade de Niterói, para fundar um movimento que transformaria para sempre a história política do Brasil - o Partido Comunista do Brasil, que logo se espalharia por todo o território brasileiro em um movimento de massas. Foi o primeiro partido nacional do país, em uma época em que a política se organizava apenas regionalmente, com o poder do coronelismo, dos mandos e desmandos das elites rurais e urbanas. Durante esses 100 esteve muitos anos na clandestinidade, muitos de seus membros perseguidos e mortos, inclusive na luta armada no Araguaia, onde todos foram torturados e assassinados e seus corpos até hoje permanecem desaparecidos, entre eles bauruenses, Jaime e Lucio Petit. Maria Lucia, identificada em 1996, aqui tem seus restos mortais enterrados junto com sua mãe, Julieta Petit.

Buscando compreender os períodos históricos, em 22 de março de 2022, a Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil divulgou um documento que se intitula " PCdoB: um século de lutas em defesa do Brasil, da democracia e do socialismo" . Esse documento reafirma que não se pode compreender a história do Partido Comunista do Brasil sem entender a história do Brasil.

Em outubro de 2021, o partido realizou o 15º Congresso com dois grandes focos: desmascarar, isolar e derrotar Bolsonaro; e garantir a presença plena do PCdoB na vida parlamentar-institucional. Os comunistas celebraram a aprovação da Lei das Federações Partidárias e reafirma a tática de Frente Ampla para derrotar Bolsonaro.

O Partido apontou que floresce a esperança com a boa nova de que as oposições podem, sim, vencer as eleições presidenciais em 2022. E, ainda, o Congresso debateu uma Plataforma emergencial de reconstrução nacional. As celebrações do Centenário enaltecem o legado dos comunistas à nação e à classe trabalhadora e destacam o partido longevo e contemporâneo.

Em Bauru, marcamos nossa presença desde maio de 1986, travamos várias e diversas lutas, em movimentos sociais, estudantis e na Câmara Municipal. Os tempos nos colocam novos desafios que é permanecer motivando pessoas a terem disposição para permanecer nas nossas fileiras, mesmo quando não nos encontramos com condições objetivas para participar da vida politica da cidade. Não desistimos! São etapas que a vida nos impõe, com mais facilidades ou não. Mas estamos aqui!

Nesse tempo todo chegaram e partiram companheiros.

Alguns para sempre, mas que continuam vivos nas memoria. Em nome de todos, ficam aqui registrados Arconcio Pereira, comunistas militante até seus 92 anos de vida, e Luiz Ricardo Oliveira e Rafael Gomes, dois meninos que não tiveram a mesma oportunidade, mas deixaram seus legados!

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